domingo, 13 de dezembro de 2015

Estudantes goianos criam soluções de transparência aos dados do Governo



Cerca de 85 estudantes de diversas faculdades goianas dos cursos de tecnologia e informática, engenharia, administração, entre outros, passaram o final de semana imersos numa maratona programada pelo Governo de Goiás: a Hackatona Let´s GO. O evento, realizado na Vila Cultural Cora Coralina, em Goiânia, desafia os estudantes a proporem soluções a partir de dados do orçamento do Governo estadual em três eixos: contratação de produtos e serviços de forma mais intuitiva, mecanismos para acesso facilitado às despesas do Estado e, fornecimento de inteligência sobre dados de arrecadação e despesas por setor e atividade econômica.

Os vencedores da Hackatona serão conhecidos nesta segunda-feira (14/12), às 10 horas. Escolhidos por um júri de entidades do terceiro setor e empreendedores, os vencedores serão submetidos a uma “mentoria criativa” e, com os prêmios recebidos, poderão desenvolver suas propostas no mercado. 

O primeiro lugar da maratona hacker ganhará 40 dias de incubação para a startup criada durante a Hackatona, além de bolsas de estudo Empretec, que, promovido pelo Sebrae, é considerado uma das principais soluções para contribuir com o desenvolvimento de características do comportamento empreendedor. O segundo lugar irá ganhar 30 dias de incubação e o terceiro, 20. Durante esse período, os vencedores terão total suporte e treinamento de empreendedores para que eles desenvolvam ideias e as transformem em empreendimentos com potencial de sucesso.

A estudante de pós-graduação em Gestão e Negócios Renata de Fátima Alves, formada em administração de empresas, é uma das participantes da Hackatona e pretende trabalhar no evento as 54 horas de duração e ainda participar das palestras que virão em seguida. “Deixei o meu fim de semana de balada para me juntar a outros colegas com o propósito de buscar mecanismos facilitadores de acesso às informações do Governo estadual. Percebo que as informações estão disponíveis, porém, de difícil acesso aos leigos. Precisamos melhorar isso”, afirma Renata.

Essa é também a percepção do secretário Thiago Peixoto, de Gestão e Planejamento. “O Governo estadual disponibiliza todas as informações através da internet, de forma transparente, mas reconheço que o acesso nem sempre é fácil. Por isso, através da Hackatona, com a participação dos estudantes goianos, queremos buscar a melhor solução de acesso ao banco de dados do Estado e criar uma rede de inovação e empreendedorismo em Goiás”, afirma o Secretário.

O estudante do 4º período de engenharia da produção, da Universidade Federal de Goiás, Leonardo Souza Costa, participante da Hackatona Let´s GO, espera adquirir conhecimentos na área do empreendedorismo com os tutores da área que estão no evento e criar uma proposta mais efetiva para resolver a questão do acesso às informações do Governo, de forma ainda mais transparente. “A iniciativa da Segplan é muito louvável, criando incentivo de inovação. Tem muita galera aqui em Goiânia disposta a contribuir com o Governo”, garante.

Organizada pela Secretaria de Gestão e Planejamento (Segplan), com apoio da Controladoria Geral do Estado (CGE) e da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SED), por meio do Inova Goiás, a hackatona, que é a primeira parte do Let´s GO, divide os participantes em equipes, sempre representada por um programador, um designer e um empreendedor e o pessoal de criação e apoio. Ao todo, eles trabalharam 54 horas seguidas construindo soluções para tornar mais facilitado o acesso aos dados públicos.

Mais informações em: www.lets.go.gov.br


quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

XBRL: Transparência e Gestão




Simplificar e uniformizar o intercâmbio das informações financeiras e contábeis, este é o objetivo da tecnologia XBRL, sigla que em inglês significa Extensible Business Reporting Language . Criada pelo auditor independente norte-americano Charles Hoffmann, é derivada da linguagem XML, até então de uso incipiente e largamente utilizada com a massificação da internet. 

Assim como outras tecnologias desenvolvidas nos últimos anos para garantir maior transparência no mundo dos negócios a XBRL quer garantir que as informações contábeis sejam publicadas de modo transparente, padronizado e compreensível. O novo modelo de comunicação de dados financeiros, desenvolvido desde 1998, já é utilizado por alguns países. A intenção é automatizar a transferência de informações contábeis financeiras, como os balanços, feitas ainda em papel por meio de arquivos nos programas Word, Excell ou PDF, entre outros. No novo sistema, os dados poderão ser acessados via internet.

O padrão XBRL é gerenciado pela XBRL Internacional, um consórcio mundial com fins não-lucrativos, contando com a participação de aproximadamente 550 companhias, empresas de auditoria e informática e por várias agências e entidades internacionais, que têm por objetivo construir essa linguagem, promovendo e oferecendo suporte a sua adoção. De acordo com o especialista em governança, gestão de risco e compliance da PricewaterhouseCoopers Evandro Carreras, um dos grandes motivadores do desenvolvimento dessa nova tecnologia é a Securities and Exchange Commission (SEC) - o equivalente norte-americano à brasileira Comissão de Valores Mobiliários (CVM). 

Nos Estados Unidos, a SEC já investiu algo em torno de U$ 54 milhões para criar um ambiente de comunicação com suporte em XBRL para substituir o banco de dados existente até então. O professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA/USP) Edson Luiz Riccio é o responsável pela introdução no Brasil do XBRL. Ele integra a Comissão Brasileira de Implementação do XBRL, criada pelo Conselho Federal de Contabilidade. Para adotar esse formato, é necessário que seja criada uma jurisdição brasileira, que regulamentará o seu uso no País.

Hoje, os grandes limitadores para a análise de balanços são o acesso às informações financeiras, diversidade de padrões contábeis e principalmente um padrão único para disponibilização dos relatórios contábeis. O XBRL vem viabilizar as soluções destes problemas. As principais Centrais Públicas de Balanço ao redor do mundo começam a usar o XBRL como padrão de informações. "Estas centrais começam a surgir em vários mercados, inclusive no Brasil", estima o contador e professor universitário Alexandre Alcântara. 

O especialista ressalta que o mundo já está em franco processo de convergência às normas internacionais de contabilidades. Mais de cem países estão empenhados na uniformização das IFRS (International Financial Reporting Standard) e da (International Financial Reporting Standard). O próprio Brasil, com a promulgação da Lei 11.638/2007, que alterou significativamente o capítulo referente às demonstrações contábeis, também caminha nesse sentido. O International Accounting Standards Board (IABS) já adotou o XBRL como padrão de referência de divulgação dos relatórios contábeis.

Nos Estados Unidos, a SEC já liberou o acesso público à ferramenta Financial Explorer e esta possibilita aos investidores a manipulação do XBRL das demonstrações contábeis publicadas pelas companhias americanas de capital aberto, permitindo dentre outras possibilidades a produção de gráficos, indicadores e tabelas com maior facilidade.

"Com o XBRL estamos criando um ambiente propício para análise de balanço dentro de um mercado global, com normas convergentes. Os analistas ganham, sim, um grande aliado em seu trabalho", destaca. De acordo com o Alcântara, os benchmarkings ficarão potencialmente mais viáveis com surgimento de ferramentas de coleta e análise de dados em escala global.

Por parte dos governos, os maiores ganhos serão sentidos para as bolsas de valores. Normalmente vinculadas aos governo federal, passarão a usar o mesmo padrão de linguagem de todas as bolsas ao redor do mundo. Os grandes estudos e discussões atuais da XBRL estão focados na definição das taxonomias específicas para seus usuários. É na taxonomia, por meio de um vocabulário controlado, que poderão ser construídos documentos para a área financeira. Essa especificação dos dados, que é a explicação técnica do que vem a ser o XBRL e de como funciona (metalinguagem), forma a base da linguagem e viabiliza a função principal da mesma. Esta função é facilitar a divulgação de ampla gama de conteúdos contábil-financeiros, apesar da complexidade das informações e regras que esses devem seguir, de maneira que possam ser facilmente compartilhados, compreendidos e manuseados pelos usuários.
Assim, conforme Alcântara, será viabilizado o intercâmbio de informações contábeis e financeiras. Ele destaca que os governos, por força legal, não têm apresentado restrição no acesso aos dados contábeis das empresas. "O XBRL apenas deixa mais fácil esta exigência, pois as empresas poderão usar uma linguagem e taxonomia no momento de enviarem seus dados aos órgãos governamentais." Diante do exposto, é necessário além das ações que ocorrem ao redor do mundo e em particular no Brasil, a adoção do padrão XBRL, por parte das entidades governamentais em todos os sistemas que são alimentados por dados contábeis a exemplo das obrigações acessórias da Receita Federal de forma a minimizar possíveis erros por duplicação de informações.