quinta-feira, 26 de novembro de 2015

NYC Business Express, o Departamento de Assuntos do Consumidor de NYC (DCA): Portal para Initiativas de Licenças para Negócios e o reconhecimento do governo

NYC Business Express, the NYC Department of Consumer Affairs (DCA):  Business License Portal Initiative and the government recognition


 By Eugene Weinstein, MBA
Public Service Enterprise Group
(PSEG, USA)

Portuguese version:  Ilan Chamovitz , D.Sc.
( Ministry of Health, Brazil)

August 2015


This article presents how New York City – Department of Consumer Affairs (DCA) solved a process problem by implementing a data transfer protocol based on Information Technology and how the NYC government recognized this innovation.

The project team has had issues assuring the data provided to DCA due to the complexity of organizational and personal business licensing requirements that needed to be captured electronically.  Additionally, the structure of the data exchanges had to comply with the NYC Government data exchange standards, which mandated the use of the National Information Exchange Model (NIEM), the US Federal Government data exchange standard, for the data exchange payload structure and the corresponding information domain had not yet been developed in NIEM repository at that time.

In order to assure the data being transferred to DCA the team has developed an innovative data exchange quality assurance process based on the extensive data documentation and on the automated payload structure checking support in the XML Spy tool.  The data documentation included a line of sight mapping from the user interface to the payload structures, building on the exchange data dictionary, which had always been developed as the first step in the process.

In order to assure the acceptable level of the data exchange soundness the project team agreed with the client to conduct a set of tests to find and flag the data exchange issues. The tests included the XML Schema compliance (an automated test capable of wielding out 70% of the issues), the data completeness check that compared the data in the exchange XML document to the data provided in the online form (another 20% of issues), and the referential integrity check of the exchange data (NIEM-based structures have built-in references).

As the project scope expanded, the team has added source data definition structuring, profiling, and the reconciliation of the source data and the data exchange definitions in order to make sure that the type and cardinalities of the source data elements match those defined in the data exchange payload specifications thus enabling the XML Schema compliance test. The team has conducted the source data reconciliation sessions during which the source data mapping was clarified and added to the data mapping document provided to the quality assurance team as a part of the exchange documentation.

The NYC business licensing portal (nyc.gov\Business) is now capable of accepting the online applications for over forty license types, delivering license applications, receiving supporting data, and coordinating approvals with six NYC Government departments, as well as accepting and processing applicant’s payments. The portal has changed the arduous NYC business license application process that had required multiple personal appearances and weeks of waiting to an online one where, in many cases, an applicant was capable of completing an application in a matter of hours and of receiving the license by mail within days without a need for a personal appearance. For their outstanding performance the project team has been awarded a NYC Government Certificate of Recognition.

NYC Business Express, o Departamento de Assuntos do Consumidor de NYC (DCA): Portal para Initiativas de Licenças para Negócios e o reconhecimento do governo


Por Eugene Weinstein, MBA
Public Service Enterprise Group
(PSEG, USA)

Versão em Português:  Ilan Chamovitz , D.Sc.
( Ministério da Saúde, Brasil)

Agosto  2015


Este artigo apresenta como a equipe do departamento de Assuntos do Consumidor de Nova York solucionou um problema de processo por meio da implementação de um protocolo de transmissão de dados fundamentado em Tecnologia da Informação e como o governo de Nova York reconheceu esta  inovação

A equipe de projeto NYC Business Express de Nova York (NYC-DOITT)  experimentava   problemas para assegurar os dados fornecidos para o DCA, devido à complexidade dos requisitos organizacionais e pessoais de licenciamento de negócios que precisavam ser capturada eletronicamente. Além disso, a estrutura dos intercâmbios de dados teve de cumprir com as normas de intercâmbio de dados do governo de NYC, que exigiu o uso do National Information Exchange Model (NIEM), o padrão de troca de dados do Governo Federal dos EUA, a troca de dados entre  a estrutura de carga útil e o correspondente domínio da informação que ainda não havia  sido desenvolvido em repositório NIEM naquele momento.

A fim de assegurar os dados que estão sendo transferidos para DCA, a equipe desenvolveu um processo inovador de garantia de qualidade baseado na extensa  documentação de dados na  troca de dados e no suporte à verificação da carga de transmissão da ferramenta  XMLSpy.  A documentação de dados incluiu uma linha de mapeamento visual , da interface do usuário para as cargas de transmissão, criando no dicionário de dados de trocas, que sempre havia  sido desenvolvido como o primeiro passo no processo.

A fim de assegurar o nível aceitável da solidez de intercâmbio de dados, a equipe do projeto acordou  com o cliente para se realizar um conjunto de testes para encontrar  e marcar as questões relacionadas ao  intercâmbio de dados. Os testes incluíram o cumprimento de esquema XML (um teste automatizado capaz de empregar  70% das questões), a verificação de integridade de dados, que comparou os dados no documento XML de troca com os dados fornecidos no formulário on-line (outros 20% das questões) e a verificação de integridade referencial dos dados de troca (estruturas baseadas em NIEM comportam referências  embutidas).

Coma expansão do  escopo do projeto , a equipe adicionou estruturação de definição de fontes de dados, perfis, e a reconciliação das fontes de dados e as definições de intercâmbio de dados, a fim de certificar-se de que o tipo e cardinalidades dos elementos de fontes de  dados  coincidiam com aqueles dados definidos nas especificações de  intercâmbio de carga de transmissão permitindo assim o teste de conformidade Schema XML. A equipe conduziu as sessões de reconciliação de dados de origem durante as quais o mapeamento de dados de origem foi explicado  e adicionado ao documento de mapeamento de dados, e fornecido  para a equipe de garantia de qualidade como parte da documentação de câmbio.

O portal para licenciamento de negócios NYC (nyc.gov \ Business) é agora capaz de aceitar os aplicativos on-line para  mais de quarenta tipos de licença, provendo  os pedidos de licença, recebendo dados de apoio, coordenando aprovações com seis departamentos governamentais de  NYC, bem como aceitar e processar pagamentos do requerente.  O portal mudou o árduo  processo de aplicação para  licença de negócio em NYC  que exigia vários comparecimentos pessoais e semanas de espera para uma licença online, onde, em muitos casos, o requerente era  capaz de completar uma aplicação em questão de horas e de receber a licença por correio  após alguns dias sem a necessidade de comparecimento  pessoal. Por seu excelente desempenho a equipe do projeto recebeu um Certificado de Reconhecimento Governo  de NYC.



Por que precisamos conectar os dados publicados na Web?

Por Thiago Ávila*

No primeiro artigo desta série, abordamos a problemática da oferta de dados que vem crescendo exponencialmente no âmbito da economia digital, mas com qualidade e poder de reutilização muito baixo. Conforme já explorado, estes dados estão, predominantemente, em formato não estruturado - o que limita sua descrição e reutilização por outras aplicações e pessoas. Além disso, devido à baixa qualidade dos dados disponibilizados, o processo de reutilização tem sido caro [1].

Nesta direção, novas abordagens em torno dos dados foram sendo desenvolvidas ao longo dos anos e atualmente, busca-se o estabelecimento de um conceito de dado que possa ser amplamente utilizado sem restrições de uso e aplicações, de tal maneira que o ciclo de produção de conhecimento possa ser mais rico e aprimorado [2]. O conceito de dados abertos foi estabelecido neste horizonte e consistem de Dados que podem ser utilizados livremente, reutilizados e redistribuído por qualquer pessoa - sujeito apenas, no máximo, com a exigência de atribuir o compartilhamento pela mesma licença [3].

Os dados abertos permitem que pessoas e organizações utilizem informações públicas livremente para gerar aplicativos, fazer análises ou mesmo produtos comercializáveis. Para que um conjunto de dados seja considerado aberto, ele precisa permitir que o cidadão acessasse com facilidade e o utilize ou redistribua sem restrições. Ademais, os dados precisam ser facilmente encontrados em um lugar indexado, sem impedimento de leitura por máquinas ou restrições legais [4].

No âmbito governamental, para conceituar o como devem ser os dados abertos governamentais foram estabelecidas três leis, ou seja, as condições para que um determinado dado governamental seja considerado como aberto [5]:

Se o dado não pode ser encontrado e indexado na Web, ele não existe; 
Se não estiver aberto e disponível em formato compreensível por máquina, ele não pode ser reaproveitado; e 
Se algum dispositivo legal não permitir sua replicação, ele não é útil. 

Complementarmente, a The Association of Computing Machinery’s publicou uma recomendação para dados governamentais, onde estabeleceu que:

"Os dados publicados pelo governo deve ser em formatos e abordagens que promovam a análise e reutilização desses dados." [6].

Desta forma, o conceito de dados abertos governamentais emergiu como uma forte referência à publicação de dados na web, criando novos canais de comunicação entre governos e seus cidadãos, onde inúmeros portais e catálogos de dados web foram desenvolvidos, em nível continental, como o da União Europeia (www.publicdata.eu – reunindo catálogos de 29 países), em nível nacional como o dos E.U.A. (www.data.gov), do Reino Unido (www.data.gov.uk) e do Brasil (www.dados.gov.br), e ainda em nível local, como o do Estado de Alagoas (www.dados.al.gov.br), ofertando milhares de conjuntos de dados online. Tais iniciativas têm sido bastante impulsionadas em nível global, como o estabelecimento da Parceria para o Governo Aberto (Open Government Partnership) [7] que reúne cerca de 65 países (incluindo o Brasil) em torno do estabelecimento de Governos mais transparentes, participativos e que engajem a sociedade na co-criação e colaboração em torno de soluções de interesse público.

Assim, o volume de dados e informações produzido, bem como a atual descentralização destas estruturas de produção impõem desafios cada vez maiores, pois a tomada de decisão precisa ser subsidiada por informações integradas, comumente decorrente do cruzamento de várias bases de dados. Neste contexto, os consumidores de dados visualizam que a oferta de dados atual vastamente espalhada pela web representa um grande inconveniente, pois existe a necessidade de primeiro obter e armazenar estes dados localmente, antes que possam ser utilizados para a produção de informações relevantes [8].

Cumpre ressaltar ainda que, mesmo que a informação do setor público esteja disponível em formato aberto, pode estar publicada de forma caótica. Ademais, a mesma informação pode ser encontrada em diferentes locais da web e ainda, sem haver nenhuma conexão entre tais fontes de informações, apresentando, por exemplo, qual é a informação mais atualizada. Diante desta situação, para que os usuários tenham confiança nos dados disponibilizados eles buscam analisar a sua procedência, dando preferência àqueles que são originários de fontes confiáveis. Por outro lado, estes dados confiáveis são naturalmente disponibilizados por fontes distribuídas, não sendo incomum a ausência de hiperlinks para informações relacionadas, ora armazenadas no mesmo repositório de dados ou não [9].

O desafio presente consiste no fornecimento de meios eficazes para acessar dados das fontes distribuídas, e ainda, estipular mecanismos através dos quais eles podem ser conectados e integrados [8]. Outro desafio reside na limitação dos seres humanos em processar e conectar a atual oferta de dados e informações disponíveis, considerando que a internet faz com que a riqueza do conhecimento humano esteja disponível para qualquer pessoa, em qualquer lugar. Mais um desafio reside em como classificar e efetivamente utilizar o crescente volume de informação disponível para a obtenção das respostas necessárias.

Uma iniciativa interessante na direção deste desafio foi à proposição, por Tim Berners-Lee de uma escala de maturidade dos dados, conhecida como Esquema das 5 Estrelas dos Dados Abertos[10], conforme descrito abaixo: 

1-Estrela: O dado está disponível na web, em qualquer formato (pdf, png, jpeg);

2-Estrelas: O dado está disponível como sendo legível por máquina e estruturado (uma planilha do Excel);

3-Estrelas: O dado está disponível num formato não-proprietário (uma planilha CSV).

4-Estrelas: O dado é publicado usando os padrões de dados abertos do World Wide Web Consortium, como o (RDF e SPARQL) e possui identificadores universais (URIS); 

5-Estrelas: Todos os itens acima se aplicam, além de links para dados de fontes diferentes e utilização de semântica, ou seja, o dado é enriquecido e conectado com outros dados.


Figura 01 – Esquema de maturidade 5 Estrelas dos Dados Abertos [11] 

Além dos novos conceitos estabelecidos, desta importante escala de maturidade, do conjunto de esforços que vem sendo desenvolvidos pelo W3C, há uma grande intenção em aprimorar a oferta de dados gerados pela economia digital, afinal, os dados estão bem espalhados em sistemas e catálogos de dados mundo afora e, relembrando o primeiro artigo desta série, 67% da oferta de dados em 2020 poderão ser inúteis para reuso e apoio a construção do conhecimento e subsidiar a tomada de decisão e esta oferta de dados estará cada vez mais distribuída ao redor do globo. 

Precisamos ou não pensar em como melhorar esta oferta de dados e conectando-a e enriquecendo-a efetivamente? 

No próximo artigo desta série apresentaremos uma das perspectivas em desenvolvimento para a melhoria de dados na Web, que são os “Dados Conectados” apresentaremos este conceito e ao longo dos próximos posts, seu potencial, casos e uso, vantagens e limitações.

Até a próxima!!!

* Estes artigos contam são oriundos de pesquisas científicas desenvolvidas no Núcleo de Excelência em Tecnologias Sociais (NEES), do Instituto de Computação da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e contam com a contribuição direta dos pesquisadores Dr. Ig Ibert Bittencourt (UFAL), Dr. Seiji Isotani (USP), e Armando Barbosa, Danila Oliveira, Judson Bandeira, Thiago Ávila e Williams Alcântara (UFAL).

[1] Alcantara, Williams; Bandeira, Judson; Barbosa, Armando; Lima, André; Ávila, Thiago; Bittencourt, Ig & Isotani, Seiji. (2015). Desafios no uso de Dados Abertos Conectados na Educação Brasileira. Anais do DesafiE - 4º Workshop de Desafios da Computação Aplicada à Educação. CSBC 2015. Recife: Sociedade Brasileira de Computação.
[2] Bandeira, Judson; Alcantara; Williams; Barbosa, Armando; Ávila, Thiago; Oliveira, Danila; Bittencourt, I. & Isotani, S. (2014). Dados Abertos Conectados. Jornada de Atualização em Tecnologia da Informação. Anais do III Simpósio Brasileiro de Tecnologia da Informação - SBTI 2014. 
[3] OKFN. Open Data HandBook. Why Open Data ?. Open Knowledge Foundation. Disponível em: http://opendatahandbook.org/guide/en/why-open-data/. Acesso em: jul. 2015
[4] Neves. Otávio Moreira de Castro. Evolução Das Políticas De Governo Aberto No Brasil. Anais do VI Congresso Brasileiro de Gestão Pública – CONSAD. Brasília, Brasil. 2013. Acesso em out. 2014. Disponível em: http://consadnacional.org.br/wp-content/uploads/2013/05/092-EVOLU%C3%87%C3%83O-DAS-POL%C3%8DTICAS-DE-GOVERNO-ABERTO-NO-BRASIL.pdf 
[5] Eaves, David. (2009). The Three Laws of Open Government Data. Disponível em Eaves.ca: http://eaves.ca/2009/09/30/three-law-of-open-government-data. Acesso em: jul. 2015
[6] ACM. Association of Computing Machinery. ACM Recommendation On Open Government. 2009. Disponível em: http://www.acm.org/public-policy/open-government
[7] OGP. Open Government Partnership. Participating Countries. 2014. Acesso em: jul. 2015. Disponível em: http://www.opengovpartnership.org/countries
[8] Heath, T. (2011). Linked Data — Welcome to the Data Network. IEEE Internet Computing archive. Volume 15 Issue 6. Pages 70-73
[9] Galiotou, Eleni and Fragkou, Pavlina (2013). Applying Linked Data Technologies to Greek Open Government Data: A Case Study. Journal of Social and Behavioral Sciences, p 479-486, vol. 73; doi: 10.1016/j.sbspro.2013.02.080.
[10]Berners-Lee, Tim (2006). Linked Data. W3C. Acesso em: jul. 2015. Disponível em: http://www.w3.org/DesignIssues/LinkedData.html
[11] 5 STARS OPEN DATA... “5 Stars Open Data”. 2012. Acessado em set. 2014. Disponível em: http://5stardata.info/


quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Normalização e estratégias de negócios


A visão que temos, normalmente, na criação e uso de normas técnicas é baseada em premissas usadas no sistema internacional de normalização:  a garantia de que materiais, produtos, processos e serviços estejam alinhados a seus objetivos. Com isso, cria-se uma base para que permita verificar a adequação de produtos e serviços a requisitos de segurança, confiabilidade e boa qualidade. Para as empresas, as normas podem ser usadas como elementos de otimização de custos e aumento de produtividade, além de habilitá-las a explorar novos mercados, possibilitando às pequenas empresas chegar em níveis de qualidade equivalentes aos de empresas de grande porte.

Mas é realmente possível alinhar os trabalhos de normalização ou uso de normas às estratégias empresariais?

A resposta, obviamente, não é simples e depende muito de como a empresa se posiciona atualmente em seu mercado e como pretende estabelecer seu caminho de evolução. Em alguns segmentos de mercado, a empresa pode estar atuando defensivamente, estar em momento de manutenção de sua fatia de mercado, estar em processo de crescimento com grande nível de pró-atividade ou se comportar agressivamente para deslocar concorrentes e solidificar uma posição privilegiada de mercado. Em cada um desse cenários a empresa pode escolher com o uso, ou criação, de normas pode estar alinhado com sua atuação.

Para novos participantes de mercado, o uso de normas é normalmente baseado na premissa de que seus clientes potenciais esperam que determinadas características de seus produtos ou serviços estejam alinhados, ou em conformidade, com determinados padrões com os quais o mercado consumidor já esteja acostumado ou que os reguladores entendam ser adequados ao estabelecimento de uma maior competitividade entre as empresas ou itens obrigatórios de segurança ao consumidor. Neste caso, a conformidade de seu produtos e serviços a padrões estabelecidos e/ou requeridos no mercado é fundamental, enquanto se busca um conjunto de normas que possam acelerar seu crescimento ao permitir que novos desenvolvimentos de serviços e produtos estejam adequados às demandas de segmentos de mercado mais exigentes.

Para empresas que se estabelecem como "seguidores da onda", a adoção de padrões estabelecidos lhes permite navegar com certa tranquilidade no seu mercado alvo, sem grandes surpresas e maior previsibilidade de penetração de mercado. Como todo negócio de baixo risco, as margens que podem ser obtidas são menores mas, teoricamente, de maior segurança. É possível, com essa estratégia, estabelecer um crescimento moderado de negócios, sempre escolhendo áreas onde as tecnologias já estão bem estabelecidas.

Para líderes de mercado, ou para aqueles que querem se tornar membro deste clube, o uso de padrões mais novos, normalmente elaborados por consórcios de indústria que garantam o estabelecimento de diferenciais positivos a seus produtos e serviços é normalmente o recomendado. Nesse cenário, normalmente a empresa líder é aquela que promove e colabora com a criação de novos padrões técnicos que permitam a seus produtos e serviços maior penetração e consolidação no mercado. Um dos elementos importantes na estratégia dos líderes de mercado é o uso de padrões na construção de um ecossistema de empresas que produzam produtos e serviços complementares àqueles da sua linha principal de negócios, aumentando o valor adicionado e trazendo conforto ao consumidor quanto à longevidade ou usabilidade futura dos produtos.

Se quisermos olhar para essas estratégias de mercado, podemos olhar com atenção o mercado de smartphones. A Apple é, sem dúvida, líder inconteste no mercado premium desses dispositivos, com lançamentos anuais ansiosamente aguardados pelos mercados consumidores. A Nokia, com sua "negação" ao fenômeno dos smartphones viu a empresa ir perdendo seu valor e sua participação de forma gradativa, a ponto de desaparecer nesta década.

Outros exemplos de negação, desta vez no mercado fotográfico, são os da Kodak e da Polaroid, líderes incontestes num passado não tão distante e hoje apenas uma lembrança na memória de poucos.  Essas empresas olharam para os novos desenvolvimentos como simples modas e ameaças ao seu quinhão de mercado e se recusaram a entrar fundo nas discussões dos novos padrões de tecnologia e de mercado, perdendo sua capacidade de influenciadores e de líderes de seus segmentos.

A adoção ou criação de padrões não é o único elemento que define o sucesso ou o fracasso das iniciativas mas é, definitivamente, uma atividade que pode reforçar ou destruir por completo a capacidade de sobrevivência da empresa, muitas vezes a curto prazo.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

XBRL a serviço do Governo Federal



A utilização de XBRL se baseia em taxonomias e instâncias. Taxonomia XBRL é o conjunto estruturado de arquivos com a especificação de todos os conceitos utilizados nos relatórios, e as instâncias são os arquivos que reportam os valores dos conceitos definidos na taxonomia.
Trata-se de uma tecnologia muito difundida, baseada em eXtensible Markup Language – XML , linguagem recomendada pelo W3C, o consórcio que define padrões utilizáveis na web. Portanto, o padrão XBRL é uma especialização do XML idealizada pelo consórcio XBRL International com o objetivo de torná-lo linguagem universal para divulgação de dados financeiros. No Brasil, o XBRL passou a aparecer na arquitetura e-Ping de interoperabilidade, após sugestão de servidores do Tesouro Nacional e de outros entusiastas.
O primeiro sistema governamental no Brasil que utiliza a tecnologia XBRL é o Siconfi – Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do Setor Público Brasileiro, desenvolvido pela Secretaria do Tesouro Nacional.
De acordo com o art. 51 da Lei de Responsabilidade Fiscal - LRF, o Poder Executivo da União dispõe de até o dia 30 de junho para promover a consolidação nacional, e por esfera de governo, das contas das unidades federativas referentes ao exercício anterior, bem como divulgar os dados por meios eletrônicos de acesso público.
Como objetivo estratégico da STN, restou definida a estruturação do Siconfi para recebimento e disseminação de informações com vistas a identificar metodologias, processos e oportunidades para aprimorar a transparência da gestão e da utilização de recursos públicos, bem como pautar as decisões de médio e longo prazo. Concluída a estruturação do Siconfi, a STN editou a Portaria STN nº 86/2014, que estabelece as novas regras para recebimento dos dados contábeis e fiscais das unidades da Federação.
Sensível ao esforço global de modernização das práticas contábeis, a STN decidiu desenvolver o Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do Setor Público Brasileiro - Siconfi visando obter ganhos de eficiência e facilidade de uso.
Com a publicação da Lei Complementar nº 131, de 27 de maio de 2009, os instrumentos de transparência foram ampliados para além dos relatórios gerenciais mencionados. O conceito de transparência agora se traduz em liberação ao pleno conhecimento e acompanhamento da sociedade, em tempo real, de informações pormenorizadas sobre a execução orçamentária e financeira, em meios eletrônicos de acesso público. A necessidade de automatização e de padronização do fluxo de informações contábeis e fiscais no país tornou-se patente.
O objetivo desse sistema é reunir num mesmo ambiente os dados fiscais de todas as unidades federativas, inclusive o Relatório Resumido de Execução Orçamentária – RREO e o Relatório de Gestão Fiscal – RGF, criados pela LRF, de modo a apresentar as informações necessárias à transparência dos recursos públicos e aos controles estabelecidos pela legislação.