terça-feira, 30 de junho de 2015

Nova tecnologia uniformiza dados contábeis


Simplificar e uniformizar o intercâmbio das informações financeiras e contábeis. Esse é o objetivo da tecnologia XBRL, sigla que em inglês significa Extensible Business Reporting Language. Criada pelo auditor independente norte-americano Charles Hoffmann, é derivada da linguagem XML, até então de uso incipiente e largamente utilizada com a massificação da internet.

Assim como outras tecnologias desenvolvidas nos últimos anos para garantir maior transparência no mundo dos negócios, XBRL quer garantir que as informações contábeis sejam publicadas de modo transparente, padronizado e compreensível. O novo modelo de comunicação de dados financeiros, desenvolvido desde 1998, já é utilizado por alguns países. A intenção é automatizar a transferência de informações contábeis financeiras, como os balanços, feitas ainda em papel por meio de arquivos nos programas Word, Excell ou PDF, entre outros. No novo sistema, os dados poderão ser acessados via internet.

O padrão XBRL é gerenciado pela XBRL Internacional, um consórcio mundial com fins não-lucrativos, contando com a participação de aproximadamente 550 companhias, empresas de auditoria e informática e por várias agências e entidades internacionais, que têm por objetivo construir essa linguagem, promovendo e oferecendo suporte a sua adoção. De acordo com o especialista em governança, gestão de risco e compliance da PricewaterhouseCoopers Evandro Carreras, um dos grandes motivadores do desenvolvimento dessa nova tecnologia é a Securities and Exchange Commission (SEC) - o equivalente norte-americano à brasileira Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

O novo sistema deverá ser adotado pelas grandes corporações e empresas com ações nas bolsas de valores, seguindo a tendência empregada para as novas tecnologias. "O uso massivo da XBRL não fugirá à regra", acredita o contador, professor universitário e especialista em Direito e Gestão Tributária Alexandre Alcântara. Nos Estados Unidos, a divulgação de dados e informações contábeis é obrigatória apenas às empresas de capital aberto. "No Brasil, ainda não há um estudo sobre quem irá divulgar informações contábeis neste formato, mas seguindo a tendência internacional é provável que inicialmente comece com empresa com ações listadas em bolsas americanas", explica Alcântara.

Nos Estados Unidos, a SEC já investiu algo em torno de U$ 54 milhões para criar um ambiente de comunicação com suporte em XBRL para substituir o banco de dados existente até então. O professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA/USP) Edson Luiz Riccio é o responsável pela introdução no Brasil do XBRL. Ele integra a Comissão Brasileira de Implementação do XBRL, criada pelo Conselho Federal de Contabilidade. Para adotar esse formato, é necessário que seja criada uma jurisdição brasileira, que regulamentará o seu uso no País.

Adoção nos Estados Unidos pode começar no final do ano

Em maio deste ano a Securities and Exchange Commission (SEC) publicou uma consulta pública para que as empresas com valor de mercado a partir de U$ 5 bilhões sejam obrigadas a enviar em 31 de dezembro próximo suas demonstrações financeiras em XBRL. Segundo Evandro Carreras, especialista da PricewaterhouseCoopers, a determinação atingiria também grandes empresas brasileiras registradas na SEC com valor acima do estipulado. Entretanto, ele não descarta mudanças em relação ao prazo.

Grandes companhias nacionais têm buscado orientação sobre os procedimentos de adoção do sistema. "A Price tem assessorado algumas empresas para a preparação, conferência e envio de informações no novo formato", diz Carreras. O uso do XBRL depende da implantação de jurisdições nas nações interessadas em sua adoção. A jurisdição é criada dentro de um país, representa o instituto e recebe dele as atualizações, que podem ser utilizadas livremente e gratuitamente. As jurisdições já estabelecidas estão na Austrália, Bélgica, Alemanha, Inglaterra, Canadá, Dinamarca, França, Irlanda, Japão, EUA, Coréia do Sul, Holanda, Espanha e Suíça. Na China, Itália, Luxemburgo, Polônia e Emirados Árabes estão em implantação.

Para Alexandre Alcântara, contador e especialista em Direito e Gestão Tributária, a realidade é que poucas empresas se antecipam em abrir seus números e facilitar a análise dos investidores se não houver uma determinação legal, e esta ainda não existe. A própria Central de Balanços brasileira, um dos subprojetos do Sped Contábil, em estudo, não coloca a divulgação dos relatórios contábeis de forma obrigatória.

As centrais de balanços têm o objetivo de coletar, em nível nacional, demonstrativos contábeis e informações estatísticas de organizações não-financeiras, manter os bancos de dados, além de analisar e divulgar as informações obtidas, conforme definição do professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Luiz Fernando de Barros Campos. Elas permitem, entre outros benefícios, a elaboração de estudos setoriais e benchmarks que possam subsidiar as atividades dos participantes ou a condução de políticas públicas e a elaboração de estatísticas.

"Creio que a adesão será voluntária pelas companhias que historicamente têm uma tradição de transparência. Imagino que a própria Bovespa irá usar a divulgação em XBRL como um dos indicadores para dar melhor ranking às companhias de capital aberto", afirma Alcântara.

Ferramenta reduz tempo e gastos

O uso da tecnologia XBRL será vantajoso para as empresas que a adotarem. Conforme Evandro Carreras, especialista da PricewaterhouseCoopers, ela reduz o tempo de elaboração das demonstrações financeiras. "O investidor também terá a informação de forma automotizada, o que facilitirá a análise", diz. Com isso, haverá a tendência de redução de custo em toda a cadeia existente ao redor de quem elabora a demonstração financeira e o seu usuário final, que pode ser o investidor, um órgão regulador, banco ou entidades de fiscalização.

Para implantar o sistema, é preciso a criação de taxonomia nacional, uma espécie de dicionário de dados que permitirá o intercâmbio das informações. Esse processo envolve padronização, normalização, flexibilidade e aumento da confiabilidade. A padronização contribuirá para a diminuição do retrabalho e velocidade na entrega dos dados.

Em termos de custos de implantação, alguns aspectos devem ser considerados, diz Carreras. A parte tecnológica será feita a partir de uma plataforma XML, já bastante conhecida, onde será feita a adaptação dos dados do formato atual para a XBRL, utilizando uma plataforma XML. Ele ressalta a importância dos conhecimentos relacionados aos princípios contábeis americanos, que permitirão a ligação entre o modelo existente e o novo.

O professor do Laboratório de Tecnologia e Sistemas da Informação (Tecsi) da FEA/USP Edson Luiz Riccio diz que os benefícios podem não ser percebidos pelas empresas em um primeiro momento, por envolver uma nova rotina e tecnologia. A XBRL eliminará a digitação e descrição de dados, que podem conter erros. Haverá a padronização. "Será mais fácil a comparação de dados para o mercado de ações." Ele estima que de três a quatro meses as primeiras empresas já estejam fazendo testes no Brasil. Segundo ele, a jurisdição da nova tecnologia está em fase de conclusão, com término previsto para três semanas. A partir disso, a taxonomia será criada.

Análise dos balanços financeiros será mais fácil

Hoje, os grandes limitadores para a análise de balanços são o acesso às informações financeiras, diversidade de padrões contábeis e principalmente um padrão único para disponibilização dos relatórios contábeis. O XBRL vem viabilizar as soluções destes problemas. As principais Centrais Públicas de Balanço ao redor do mundo começam a usar o XBRL como padrão de informações. "Estas centrais começam a surgir em vários mercados, inclusive no Brasil", estima o contador e professor universitário Alexandre Alcântara.

O especialista ressalta que o mundo já está em franco processo de convergência às normas internacionais de contabilidades. Mais de cem países estão empenhados na uniformização das IFRS (International Financial Reporting Standard) e da (International Financial Reporting Standard). O próprio Brasil, com a promulgação da Lei 11.638/2007, que alterou significativamente o capítulo referente às demonstrações contábeis, também caminha nesse sentido. O International Accounting Standards Board (IABS) já adotou o XBRL como padrão de referência de divulgação dos relatórios contábeis.

Nos Estados Unidos, a SEC já liberou o acesso público à ferramenta Financial Explorer. O sistema possibilita aos investidores manipularem o XBRL das demonstrações contábeis publicadas pelas companhias americanas de capital aberto, permitindo dentre outras possibilidades a produção de gráficos, indicadores e tabelas com maior facilidade.

"Com o XBRL estamos criando um ambiente propício para análise de balanço dentro de um mercado global,com normas convergentes. Os analistas ganham, sim, um grande aliado em seu trabalho", destaca. De acordo com o Alcântara, os benchmarkings ficarão potencialmente mais viáveis com surgimento de ferramentas de coleta e análise de dados em escala global.

Por parte dos governos, os maiores ganhos serão sentidos para as bolsas de valores. Normalmente vinculadas aos governo federal, passarão a usar o mesmo padrão de linguagem de todas as bolsas ao redor do mundo.

Assim, conforme Alcântara, será viabilizado o intercâmbio de informações contábeis e financeiras. Ele destaca que os governos, por força legal, não têm apresentado restrição no acesso aos dados contábeis das empresas. "O XBRL apenas deixa mais fácil esta exigência, pois as empresas poderão usar uma linguagem e taxonomia no momento de enviarem seus dados aos órgãos governamentais."

Os grandes estudos e discussões atuais da XBRL estão focados na definição das taxonomias específicas para seus usuários. É na taxonomia, por meio de um vocabulário controlado, que poderão ser construídos documentos para a área financeira. Essa especificação dos dados, que é a explicação técnica do que vem a ser o XBRL e de como funciona (metalinguagem), forma a base da linguagem e viabiliza a função principal da mesma.

Esta função é facilitar a divulgação de ampla gama de conteúdos contábil-financeiros, apesar da complexidade das informações e regras que esses devem seguir, de maneira que possam ser facilmente compartilhados, compreendidos e manuseados pelos usuários.

sexta-feira, 26 de junho de 2015


Transparência Organizacional
Modelo de Maturidade em Transparência Organizacional
O nível 3 e o Entendimento

No artigo anterior, apresentei o nível 2 do Modelo de Maturidade em Transparência Organizacional que contempla o que é demandado pelos principais dispositivos regulatórios como a Lei da Transparência (LEI 131, 2009)[1], a Lei de Acesso à Informação (LEI 12.527, 2011)[2], o Decreto n 7.724/2012 [3] (que regulamenta a Lei 12.527/2011) e o Decreto 6.932/2009[4] (que diz respeito à simplificação do atendimento público prestado ao cidadão), foi também realizado para a construção do Nível 2. 

Atualmente o nível 3 se encontra em desenvolvimento. Enquanto o nível está voltado para a divulgação das informações, o nível 3 vai mais além e trata não só te dar o acesso, mas também de fazer com que ele seja entendido pelas pessoas. 

As características que (por enquanto!) compõem o Nível 3 são descritas na tabela abaixo:

Característica
Descrição
uniformidade
Capacidade de manter uma única forma/manter regularidade
simplicidade
Capacidade de não apresentar dificuldades ou obstáculos
intuitividade
Capacidade de ser utilizado sem aprendizado prévio
adaptabilidade
Capacidade de ser alterado de forma a atender novas necessidades ou mudança de contexto
desempenho
Capacidade de operar no tempo determinado
amigabilidade
Capacidade de organização/apresentação capaz de permitir o uso com o menor esforço
corretude
Capacidade de ser isento de erros ou faltas
integridade
Capacidade de ser sem lacunas
acurácia
Capacidade de processamento isento de erros sistemáticos
completeza
Capacidade de não faltar nada do que pode ou deve ter
clareza
Capacidade de nitidez e compreensão
comparabilidade
Capacidade de ser confrontado com outro para lhe determinar diferenças, semelhanças ou relação
consistência
Capacidade de ser isento de contradição, e ao longo do tempo obter resultados equivalentes para várias medições de um mesmo item
atualidade
Capacidade de estar no estado atual
dependência
Capacidade de identificar a relação entre as partes de um todo
compositividade
Capacidade de construir ou formar a partir de diferentes partes
detalhamento
Capacidade de descrever em minúcias
divisibilidade
Capacidade de ser separado em partes coesas
concisão
Capacidade de utilizar o estritamente necessário
verificabilidade
Capacidade de identificar se o que está sendo feito é o que deve ser feito
rastreabilidade
Capacidade de seguir o desenvolvimento de uma ação ou construção de uma informação, suas mudanças e justificativas.


Bem, esse é um work in progress, e por isso não cabe um detalhamento melhor neste momento. 


Mas existe uma discussão importante quando se fala em avançar além do nível 2. E por isso ainda vamos passar um bom tempo “batendo cabeça” neste nível. 

Veja: o nível 2 é um nível que trata de divulgar. Ele é mais palpável, ou como o pessoal da área de TI (a minha área!) gosta de dizer: é mais hard, é mensurável quantitativamente. Ele fala de práticas como: definir grau de sigilo (publicidade); Disponibilizar as informações nos locais e canais de divulgação da informação (disponibilidade); Permitir o acesso às informações em diferentes formatos (portabilidade); etc. Todas as práticas propostas para estas características podem ser implementadas e medidas objetivamente. 

Agora quando além de pensar em divulgar uma informação temos que pensar em como apresentá-la, aaahhh agora sim a coisa complica. Como medir o grau de entendimento de uma pessoa ou grupo de pessoas? Como descobrir como uma determinada informação deve ser apresentada a elas? Na minha área (aquela de TI) chamamos isso de soft, mesurável qualitativamente. 

Quando falamos da sociedade (e isso envolve a população toda) não é possível olharmos para as necessidades de cada indivíduo separadamente. É necessário estabelecer grupos de pessoas com caracterizações específicas. Mas até isso pode variar dependendo da informação. Complicado... 

Veja alguns exemplos. Um cidadão entra em um site do governo e vai à aba de “Acesso a Informação”: 

- Ele acessa uma opção para ver as despesas com diárias e passagens. Para que propósito? Houve desdobramento? De qual projeto/ação? Qual o objetivo fim? 

- Ele acessa uma opção para ver gastos, tributos, benefícios, despesas, infinidade de valores quebrados, importantes para alguns, mas importantes para ele? Qual o melhor nível de granularidade? De forma de visualização? De valor de comparação? 

Não vou me alongar. Como disse no meu primeiro artigo, ter acesso as essas informações é um avanço importantíssimo e reconheço que estamos no caminho. 

Mas é necessário começar a pensar nos próximos passos. 

Transparência e entendimento de informações e processos 

Especificamente em observância ao Artigo 5º da Lei de Acesso (LEI Nº 12.527, DE 18 DE NOVEMBRO DE 2011), regulamentada pelo decreto Nº 7.724, de 16 de maio de 2012: “É dever do Estado garantir o direito de acesso à informação, que será franqueada, mediante procedimentos objetivos e ágeis, de forma transparente, clara e em linguagem de fácil compreensão.” 

O cidadão não detém necessariamente conhecimento ou habilidade para entender todo tipo de informação que lhe ofertado. É necessário pensar em técnicas de visualização de informações públicas. 

A Academia já vem desenvolvendo alguns trabalhos na área de transparência organizacional. Se formos enveredar pelos caminhos da intricada relação entre o cidadão com a divulgação de informação através de dispositivos eletrônicos, então enveredamos pelas pesquisas de IHC (interface humano computador), semiótica e em um piscar de olhos, toda essa interdisciplinaridade me leva automaticamente para estudos nas áreas humanas. Não, não é a minha área, mas é primordial para fazer informação virar conhecimento na cabeça das pessoas.





[1] http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp131.htm
[2] http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2011/lei/l12527.htm
[3] http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/decreto/d7724.htm
[4] http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Decreto/D6932.htm


quinta-feira, 25 de junho de 2015

Inovar é a solução


Joi Ito é diretor do Media Lab do Instituto de Tecnologia de Massachussetts (MIT) e há várias de suas palestras disponíveis no site TED Talks para conhecermos um pouco mais de seu pensamento.
No link http://www.ted.com/talks/joi_ito_want_to_innovate_become_a_now_ist?language=pt-br temos uma excelente amostra das abordagens que Ito adota, sob o título de "Quer inovar? Torne-se um ´agorista´." O início da fala já é uma surpreendente amostra do paradigma em que a temática de gestão de processos deve se inserir, se não quiser perder o bonde da história. Joi se encontrava trabalhando em Cambridge e sua família estava no Japão, que sofria as consequências de um terrível desastre ambiental. As informações fornecidas pelos meios de comunicação eram insuficientes para tranquilizar os parentes distantes e foi então que Joi resolveu ir à Internet e tentar "resolver as coisas por si mesmo". Da rede de pessoas com objetivos comuns criada formou-se o grupo Safecast, um dos maiores projetos de ciência cidadã do mundo, com uma qualidade e uma agilidade impossíveis de serem alcançadas pelos métodos e abordagens tradicionais, sejam públicos ou privados.

Quando passamos a enxergar "processos" como redes de sincronia para gerar resultados (e não como sequências de atividades) e aceitamos a natural imprevisibilidade associada à vida em vez de tentarmos controlar o futuro, começamos a ter uma visão de "agoristas", concentrando-nos no momento atual.
Problemas complexos necessitam de uma eficiente comunicação e de orientação a resultados para sua resolução - e Ito ressalta que os custos de implantarmos novidades atualmente é muito baixo. Assim, inverte-se o paradigma de buscarmos uma graduação / levantarmos recursos / implementarmos a solução para justamente o seu oposto. A solução visualizada traz os recursos necessários e altera a própria formação das pessoas.
A experiência da cidade chinesa de Shenzen é citada como um exemplo claro de uma situação em que a inovação (design) ocorre junto com a produção - o modelo de produção de telefones celulares é logo encenado e co-evoluído, repetidamente. O novo paradigma de inovação se dá de baixo para cima, democraticamente, sem a dependência das grandes corporações, de forma caótica e é difícil de ser controlado. Dentre os novos princípios de inovação que devemos incorporar, podemos citar:
1) O poder da atração (conectar e fazer uso dos elementos quando for necessário, na forma de redes dinâmicas que nascem, modificam-se e se extinguem);
2) Valorização do Aprendizado em vez da Educação ("Educação é o que lhe fazem; Aprendizado é o que você faz consigo mesmo"). Devemos aprender a aprender, pois sempre haverá conexões, amigos, conhecimento disponível;
3) Preferência à bússola em vez dos mapas (ao invés de planos detalhados, devemos identificar e caracterizar os resultados que fornecerão um forte senso de direção durante toda a experiência).
Uma última mensagem de Joi Ito: "embora o mundo seja muito complexo, o que você tem de fazer é simples; pare de pensar que precisa planejar tudo, estocar tudo e estar totalmente preparado - e se concentre em estar conectado, sempre aprendendo, totalmente consciente e 'super' presente".

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Alinhamento das ações aos pilares da Governança Corporativa – Parte 8

No post anterior abordamos o Data Management Body of Knowledge (DAMA DMBOK) uma ação de grande porte voltada para a melhoria da gestão e governança nas organizações públicas e seus relacionamentos aos preceitos da governança corporativa.

Redesenho de Serviços Públicos é uma metodologia proposta pelo EloGroup e aplicada no Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. O trabalho foi conduzido no âmbito do CEBAS – Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social. 

A Política Nacional de Assistência Social – PNAS define que entidades beneficentes sem fins lucrativos quando executam atividades da Administração Pública tem direito a um incentivo fiscal.

No escopo do trabalho foram consideradas aproximadamente 17.000 Entidades de Assistência com cerca de 7.000 certificados ou com processo CEBAS no MDS.

A abordagem utilizada (figura 01) levou em consideração as seguintes premissas: combinar o que é viável (serviço público), exequível (tecnologia) e desejável (sociedade); pensar em divergir (criar escolhas) e convergir (fazer escolhas); e percorrer um processo não linear combinando o pensamento analítico e criativo.

Figura 01 – Premissas adotadas para execução do trabalho

A metodologia utiliza um framework composto por cinco etapas:
  1. Visão de futuro - realizar diagnóstico inicial, alinhamento estratégico e ideação inicial do projeto;
  2. Imersão - entender o contexto do cliente, do mercado ou da organização;
  3. Redesenho - desenhar solução e projetar novos processos, estruturas e tecnologias;
  4. Desenvolvimento - planejar, monitorar e aprender pela implantação de MVPs;
  5. Escala - escalar entrega da solução ao cliente.
Figura 02 – Framework utilizado no projeto

O Redesenho de Serviços Públicos está em consonância com o segmento Áreas de Integração para o Governo Eletrônico da ePING, que estabelece a padronização de especificações técnicas para sustentar o intercâmbio de informações em áreas transversais da atuação governamental, de forma a buscar a interoperabilidade de serviços de Governo Eletrônico Brasileiro.

Para mapear a convergência das ações aos pilares da governança corporativa foi desenvolvido um modelo constituído de dois componentes: elementos e conexões.

Os elementos são conceituados de acordo com sua especificidade e são relacionados a outros elementos por intermédio de conexões.

As conexões são estabelecidas de acordo com o elo de ligação entre os elementos identificados nas ações objeto dessa avaliação.

O modelo de alinhamento das ações de governança pode ser acessado em: 

Elementos e conexões do Redesenho de Serviços Públicos:
  • BPMS - Business Process Management System; 
  • Competências - Modelo de Arquitetura Corporativa;
  • Processos - Modelo de Arquitetura Corporativa;
  • Governança de Pessoas;
  • Sociedade;
  • 3 - Promoção do propósito e da noção de serviço Público - IBGP;
  • 8 - Atendimento às necessidades das partes interessadas de modo efetivo e sustentável - IBGP;
  • Bloco Execução - Gespública;
  • Avaliação de Riscos - COSO;
  • Mecanismo Estratégia - TCU.
Figura 03 – Conexões do Redesenho de Serviços Públicos

O Mapa do alinhamento da ação à Governança Corporativa destaca a interoperabilidade, que pode ser entendida como uma característica que se refere à capacidade de diversas organizações trabalharem em conjunto de modo a garantir que pessoas, organizações e sistemas computacionais interajam para trocar informações de maneira eficaz e eficiente.


No próximo artigo abordaremos o Guia de Comitê de TI do SISP.

terça-feira, 23 de junho de 2015

Padrão XBRL é atualizado para conter descrições em português

O padrão XBRL (Extensible Business Report Language - Linguagem Extensível da Relatórios Financeiros) é mantido pela organização XBRL International, a qual possui diversos grupos de trabalho para tratar dos variados temas que dizem respeito a este padrão para troca de dados.

Um dos grupos de trabalho, que trata do Global Ledger (livro contábil), liberou recentemente um pacote de traduções, contendo a descrição dos diversos campos de dados em várias linguagens, dentre elas a tradução completa para o Português do Brasil. O pacote também contém traduções completas para as linguagens: Chinês, Italiano, e Espanhol; e traduções parciais para as linguagens: Finlandês, Francês do Canadá, e Turco.

Esta novidade no padrão é muito importante, pois além de padronizar a codificação dos dados propriamente ditos, também padroniza as mensagens e definições textuais associadas a estes dados, facilitando sua adoção do padrão XBRL nos países que fazem uso das linguagens em questão.

Maiores detalhes sobre as traduções podem ser obtidas na área de XBRL GL do site da especificação.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Inteligência Geográfica: eficiência para o Setor Público

Estamos vendo na última década um crescimento exponencial da utilização de geotecnologias no setor público, indo bastante além da tradicional produção de mapas e cartografia. As aplicações são inúmeras e cada vez mais estão suportando a missão das instituições nos mais diversos segmentos. Trouxe hoje alguns exemplos recentes destas iniciativas que tem promovido o fortalecimento da INDE, da transparência e aumentado a eficiência na administração pública. 

Polícia Militar do Distrito Federal sai na frente em tecnologia para segurança pública

A Polícia Militar do Distrito Federal mais uma vez se destaca no uso de tecnologias a serviço da segurança pública. Policiais do Centro de Inteligência (CI) realizaram uma palestra, no último dia 9, no evento Eu Esri 2015, sobre a plataforma ArcGIS utilizada para gestão e planejamento operacional.

A plataforma reúne mapas, aplicações, dados e pessoas para monitorar e rastrear eventos em tempo real para facilitar o planejamento e a tomada de decisões pela organização. Na palestra os capitães Roberto Pimentel e Leandro Guimarães demostraram a aplicação da plataforma para uso na gestão e planejamento operacional.

Foram apresentados diversos painéis gerenciais bem como um protótipo de serviço que em breve estará disponível em todas as unidades da PMDF. A aplicação facilita o gerenciamento mais efetivo do emprego policial além de permitir a visualização das ocorrências em tempo real no mapa. Iniciada há pouco mais de um ano, a implementação dessa plataforma na Corporação figurou como destaque do evento no segmento segurança pública e defesa.



Ministério dos Transportes receberá prêmio internacional pela melhor Iniciativa Brasileira em Geoinformação

Entre mais de 100 mil concorrentes, o Ministério dos Transportes foi contemplado com o Prêmio SAG Award (Special Achievement em GIS), a ser recebido entre os dias 20 e 24 de julho, em San Diego, California, Estados Unidos. 

O Ministério, por meio da Secretaria de Política Nacional de Transportes – SPNT, se destacou entre os milhares de inscritos, ficando entre os 175 selecionados, com o Projeto IDE-T - Infraestrutura de Dados Espaciais de Transportes, que representa a integração de políticas, procedimentos, mecanismos e tecnologia a fim de promover a efetiva gestão da geoinformação do Setor Transportes da administração pública federal.

O prêmio, conferido pela ESRI – Environmental Systems Research Institute, líder mundial no segmento e fabricante da plataforma sobre a qual a IDE-T está estruturada, reconhece as organizações que implementaram soluções de Sistemas de Informações Geográficas (GIS) que agregam valor à sociedade por meio da Geoinformação. A iniciativa atribui às empresas e órgãos em todo o mundo a notoriedade pela excelência de trabalhos desenvolvidos no setor.

A IDE-T é uma iniciativa estratégica do Setor Transportes, coordenada pela SPNT, tendo sido estabelecida em consonância com o Decreto nº 6.666/2008, que instituiu a Infraestrutura Nacional de Dados Espaciais (INDE), e com os objetivos estratégicos do MT de “aprimorar a disponibilidade, qualidade e integração das informações”, “promover a inovação incorporando novas tecnologias” e “assegurar a transparência ativa da gestão”.

Aplicação de Sistema de Informação Geográfica rende para Secretaria do Meio Ambiente do Tocantins Premiação em Brasília 

Pelo reconhecimento da aplicação de geoprocessamento para o monitoramento e inteligência ambiental,  utilização de dados na gestão e realização do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e monitoramento de focos de queimadas em todo Estado do Tocantins, a Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh) recebeu durante o evento do “Eu Esri na Estrada 2015”, edição de Brasília, a premiação Empresa GIS do Ano como um dos melhores órgãos públicos do País a desenvolver aplicações GIS. A premiação aconteceu no último dia 10, em Brasília.

A gerente de Informações e Inteligência Ambiental, Maria Amélia, destacou a importância da plataforma ArcGIS para a gestão ambiental. “Ferramenta como essa é de fundamental importância tanto para a administração pública, como para população. Esse sistema é o início de um processo que visa a oferecer ao cidadão um serviço útil e de grande interesse social, pois trás informações importantes sobre o monitoramento da cobertura vegetal em todo Estado, e isso, trás grandes avanços para os trabalhos de gestão ambiental,  principalmente na implantação do Cadastramento Ambiental Rural (CAR)”, disse a gerente.


Com informações de:

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Arquitetura Corporativa e o DAMA-DMBOK



Monteiro Lobato expressa em sua célebre frase que uma nação necessita de uma população culta, esclarecida, para que possa realmente crescer.

Da mesma forma que pessoas com conhecimento têm melhor desempenho didático, uma empresa que se utiliza adequadamente de seus dados e informações poderá, também, obter melhor performance em seus negócios.

Podemos então adaptar o pensamento de Monteiro Lobato afirmando que Uma empresa se faz com pessoas e dados.

De fato, a Gestão de Dados (no inglês, Data Management ou DM), visa controlar e alavancar eficazmente o uso dos ativos de dados e sua missão e objetivos são atender e exceder às necessidades de informação de todos os envolvidos (stakeholders) da empresa em termos de disponibilidade, segurança e qualidade. uma responsabilidade tanto do setor de Tecnologia da Informação de uma empresa quanto de seus clientes internos e externos e envolve desde a alta direção, que utiliza dados na geração de informações estratégicas, até profissionais de nível operacional, que muitas vezes são responsáveis pela coleta e produção dos dados.


No artigo anterior tratamos do alinhamento do Projeto Governo Direto, realizado pelo estado de Sergipe, ao nosso Modelo de Conteúdo de Arquitetura Corporativa proposto. Hoje nosso assunto será o alinhamento desse mesmo modelo ao DAMA-DMBOK.

O Guia DAMA para o corpo de conhecimento da gestão de dados (Guia DAMA-DMBOK), é um trabalho desenvolvido pela DAMA (The Data Management Association), uma organização mundial constituída pela associação de técnicos e profissionais dedicados a promover os conceitos e melhores práticas da Gestão da Informação e Governança de Dados. O livro proporciona uma visão geral sobre Gestão de Dados, as terminologias e as melhores práticas, sem detalhar os métodos e técnicas específicas, mas indica publicações amplamente reconhecidas, artigos e sites para leitura complementar.

O DMBOK divide a disciplina de gestão de dados em 10 funções, apresentadas na figura abaixo.


Cada função é então descrita por meio da expansão de 7 elementos ambientais mostrados a seguir.


A partir daqui trataremos do alinhamento entre o DAMA-DMBOK e o nosso Modelo Arquitetônico apresentado a partir desse artigo.



Todas as 10 funções da gestão de dados estão alinhadas ao bloco de Processos definido no Modelo de Conteúdo da Arquitetura Corporativa. A Gestão de Segurança de Dados tem maior vínculo com o bloco Riscos e Conformidade.

O elemento Atividades e, da mesma forma, as Práticas e Técnicas, ou métodos populares e procedimentos utilizados para executar os processos e produzir entregas, estão vinculadas também ao bloco de Processos.

As Metas direcionais de negócios de cada função e os Princípios fundamentais que dirigem o desempenho de cada função estão associados ao bloco Estratégia do Modelo de Conteúdo.

As Entregas são elementos do DMBOK que refletem as informações e bancos de dados físicos e documentos criados como resultados intermediários e finais de cada função. São portanto vinculadas ao bloco Tecnologia da Informação.

Os Papéis e Responsabilidades da área de negócio e de TI envolvem o desempenho e a supervisão das funções, e as responsabilidades específicas de cada função. Estes elementos estão fortemente relacionados ao bloco Competências do Modelo de Conteúdo da Arquitetura Corporativa.

O elemento Tecnologia do DMBOK retrata as categorias de apoio à tecnologia (primariamente ferramentas de software), padrões e protocolos. Este elemento também está em conformidade com o bloco Tecnologia da Informação do Modelo de Conteúdo.

Algumas das questões incluídas no elemento Organização e Cultura, podem estar associadas a diversos dos blocos do Modelo de Arquitetura Corporativa por incluírem temas como:

Outras, entretanto por tratarem características comportamentais não estão previstas no Modelo de Arquitetura Corporativa. Entre essas podemos citar:
  • Atitudes;
  • Estilo Pessoal e Diferença de Preferências;
  • Comportamentos.
Mas voltando a Lobato, há lugar melhor que registre diversidade maior de comportamentos do que em sua série de Aventuras no Sítio do Picapau Amarelo?



Não deixe de ler também o artigo de Guttenberg Passos, o qual retrata o alinhamento do DMBOK-DAMA aos Pilares da Governança Corporativa.


O próximo artigo  abordará o alinhamento entre o Modelo de Conteúdo de Arquitetura Corporativa e o Guia de Comitê de TI do SISP.