quinta-feira, 30 de abril de 2015

Alinhamento das ações aos pilares da Governança Corporativa – Parte 4

No post anterior abordamos o Referencial Básico de Governança do TCU uma ação de grande porte voltada para a melhoria da gestão e governança nas organizações públicas e seus relacionamentos aos preceitos da governança corporativa.

Código das Melhores práticas de Governança Corporativa - IBGC foi elaborado pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa reforçando a relevância das melhores práticas e adaptando-as às novas demandas e à realidade do mercado. 

As boas práticas de Governança Corporativa convertem Princípios em recomendações objetivas, alinhando interesses com a finalidade de preservar e otimizar o valor da organização, facilitando seu acesso a recursos e contribuindo para sua longevidade.

Os Princípios do IBGC estão em consonância com o segmento Áreas de Integração para o Governo Eletrônico da ePING, que estabelece a padronização de especificações técnicas para sustentar o intercâmbio de informações em áreas transversais da atuação governamental, de forma a buscar a interoperabilidade de serviços de Governo Eletrônico Brasileiro.

Para mapear a convergência das ações aos pilares da governança corporativa foi desenvolvido um modelo constituído de dois componentes: elementos e conexões.

Os elementos são conceituados de acordo com sua especificidade e são relacionados a outros elementos por intermédio de conexões.

As conexões são estabelecidas de acordo com o elo de ligação entre os elementos identificados nas ações objeto dessa avaliação.

O modelo de alinhamento das ações de governança pode ser acessado em: 

Elementos e conexões dos Princípios - IBGC:
  • Transparência - IBGC; 
  • Equidade - IBGC;
  • Prestação de Contas - IBGC;
  • Responsabilidade Corporativa - IBGC.
Figura 01 – Conexões dos Princípios - IBGC

Princípio Transparência – IBGC

Mais do que a obrigação de informar é o desejo de disponibilizar para as partes interessadas as informações que sejam de seu interesse e não apenas aquelas impostas por disposições de leis ou regulamentos. 
A adequada transparência resulta em um clima de confiança, tanto internamente quanto nas relações da empresa com terceiros. 

Não deve restringir-se ao desempenho econômico-financeiro, contemplando também os demais fatores (inclusive intangíveis) que norteiam a ação gerencial e que conduzem a criação de valor.

Conexões do Princípio da Transparência com outros elementos:
  • 2 - Transparência dos atos, ações e decisões praticadas - IBGP; 
  • 9 - Desenvolvimento humano para a boa governança com foco na entrega de valor público - IBGP; 
  • Informação e Comunicação - COSO. 

Figura 02 – Conexões do Princípio da Transparência - IBGC

Princípio Equidade - IBGC

Caracteriza-se pelo tratamento justo de todos os sócios e demais partes interessadas (stakeholders). Atitudes ou políticas discriminatórias, sob qualquer pretexto, são totalmente inaceitáveis.

Conexões do Princípio da Equidade com outros elementos:
  • 1 - Compromisso com valores éticos em prol da sustentabilidade social e ambiental - IBGP; 
  • 8 - Atendimento às necessidades das partes interessadas de modo efetivo e sustentável - IBGP;
  • Ambiente de Controle - COSO. 

Figura 03 – Conexões do Princípio da Equidade - IBGC

Princípio Prestação de Contas - IBGC

Os agentes de governança devem prestar contas de sua atuação, assumindo integralmente as consequências de seus atos e omissões.

Conexões do Princípio da Prestação de Contas com outros elementos:
  • 10 - Eficácia dos controles e independência das verificações realizadas nas organizações públicas - IBGP;
  •  Atividade de Controle - COSO;
  • 6 - Gestão de riscos e de desempenho organizacionais para garantia da melhor entrega de serviços públicos - IBGP;
  • Gerenciamento de Riscos - COSO;
  • Auditoria - COSO. 

 Figura 04 – Conexões do Princípio da Prestação de Contas - IBGC

Princípio Responsabilidade Corporativa - IBGC

Os agentes de governança devem zelar pela sustentabilidade das organizações, visando a sua longevidade, incorporando considerações de ordem social e ambiental na definição dos negócios e operações.

Conexões do Princípio da Responsabilidade Corporativa com outros elementos:
  • 1 - Compromisso com valores éticos em prol da sustentabilidade social e ambiental - IBGP; 
  • 5 - Envolvimento das partes interessadas no planejamento estratégico das organizações públicas - IBGP;
  • Planejamento estratégico;
  • Negócios - Modelo de Arquitetura Corporativa;
  • Responsabilidade Organizacional.

Figura 05 – Responsabilidade Corporativa - IBGC

O Mapa do alinhamento da ação à Governança Corporativa destaca a interoperabilidade, que pode ser entendida como uma característica que se refere à capacidade de diversas organizações trabalharem em conjunto de modo a garantir que pessoas, organizações e sistemas computacionais interajam para trocar informações de maneira eficaz e eficiente.

No próximo artigo abordaremos o Projeto Governo Direto.

terça-feira, 28 de abril de 2015

FIPECAFI promove palestra sobre Convergência aos Padrões Internacionais de Contabilidade no Setor Público


A FIPECAFI (Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras) promoveu a palestra de Leonardo Silveira do Nascimento, Coordenador-Geral do Tesouro Nacional sobre Normas de Contabilidade Aplicadas à Federação, sobre “Avanços e Desafios da Regulação e Prática da Contabilidade Aplicada ao Setor Público em Padrões Internacionais”.

A Profa. Dra. Patrícia Siqueira Varela abriu o evento fez a apresentação do palestrante e breve relato sobre as disciplinas do MBA Contabilidade Pública da FIPECAFI para público especializado, que lotou o auditório da Fundação. A Profa. Dra. Patrícia Varela elogiou o objetivo de implementar as normas contábeis internacionais para disponibilizar todos os dados da federação obtidos pelo Tesouro para a sociedade em geral.


Leonardo Silveira do Nascimento iniciou a palestra agradecendo a oportunidade de disseminar o conhecimento sobre os avanços da regulação e prática da contabilidade aplicada ao setor público.

“O processo de adoção de regras e procedimentos contábeis sob uma mesma base conceitual objetiva a comparabilidade da situação econômico-financeira de vários países ou de entidades do setor público nacional e internacional”, declarou.

O Prof. Dr. Iran Siqueira Lima, Presidente da FIPECAFI, destacou os desafios para a implementação das normas internacionais de contabilidade para o setor público dentro dos princípios de consolidação, transparência, controle e verificação.


O Tesouro Nacional tem o objetivo, também, de firmar parcerias com Tribunais de Contas e com órgãos da administração pública federal para o uso da linguagem XBRL. A XBRL (na sigla em inglês Extensible Business Reporting Language) é uma tecnologia criada em 1998, que permite a automação do processo de divulgação de envio e recepção de relatórios, a respeito da posição econômica financeira e contábil. O XBRL não pretende alterar o conteúdo das informações, que já são enviadas a órgãos reguladores e do governo, mas permitirá uma conversão para essa tecnologia que qualquer sistema, em qualquer língua, poderá compreender.


Pesquisadores e representantes da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), BM&FBOVESPA, entre outros, têm buscado acompanhar a experiência do Tesouro Nacional na implantação do sistema XBRL como forma de coleta de dados contábeis.


Leonardo Silveira do Nascimento, que também é membro do IPSASB/IFAC (International Public Sector Accounting Standards e Board junto à International Federation of Accountants), afirma que o Tesouro Nacional irá “trabalhar fortemente na implantação dos procedimentos patrimoniais, ou seja, o recheio do plano de contas obrigatório”.


“Temos uma contabilidade com foco orçamentário, mas agora teremos um plano de contas novo. Para isso, o Tesouro Nacional deve lançar para consulta pública em maio de 2015 no Grupo Técnico de Procedimentos Contábeis um documento sobre a estratégia para implementação dos procedimentos patrimoniais”, afirmou. Na ocasião, deverá haver discussões sobre outros assuntos relevantes como rendimentos negativos dos regimes próprios de previdência. Esse será um documento de referência e virão portarias do Tesouro Nacional fixando prazos, observou.


No Fórum há a oportunidade de expressar experiências práticas para que se reflita na 7ª edição do Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público, que está em elaboração. “Qualquer estabelecimento de normas exige o processo contínuo de revisão e aprimoramento”, concluiu Leonardo Silveira do Nascimento.


segunda-feira, 27 de abril de 2015

Cem por cento digital

Na última semana estive presente no evento "Brasil 100% Digital", promovido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), pela Secretaria Geral e Casa Civil da Presidência da República e pelo TCU e iniciativa pioneira para a construção da Agenda para o Brasil Digital (documento com diretrizes para que o País se torne efetivamente uma nação avançada no uso de tecnologias digitais). Foi um ótimo momento para conhecer experiências de sucesso tanto daqui quanto de outras realidades como Austrália, Coreia e União Europeia e de confirmar que o progresso tecnológico permite que rapidamente possamos melhorar o nível dos serviços prestados à população brasileira.

Se é verdade que há setores em que continuamos excessivamente burocráticos, há esperança no horizonte de curto tempo quando vemos exemplos como a depuração das bases informacionais do Reino Unido, em relação ao serviço de transporte urbano. Naquela situação, a administração britânica constatou que o conteúdo de seus bancos de dados não era satisfatório (dos cerca de 300 mil dados de localização dos pontos de ônibus, 18.000 não tinham boa qualidade), mas a solução buscada foi rápida e efetiva: em vez de mobilizar servidores e organizações para confirmarem os dados, o governo usou a força e a capilaridade dos cidadãos para qualificar as informações - e tal modelo obteve resultados ágeis e consistentes. Nunca a participação foi tão fácil como nos dias de hoje.

Na palestra de minha grande amiga Patrícia Audi, Secretária de Transparência da CGU, outra demostração do poder dos vários agentes para a resolução de problemas públicos: uma prefeitura paulista usou a lógica de dados abertos para publicar informações a respeito da segurança nas estradas da região e, em cerca de 24 horas, uma "start-up" desenvolveu um aplicativo para ciclistas que sequer havia sido imaginado quando da decisão por dar transparência às informações. Outra mostra de que a mehor forma de resolver processos sociais complexos se dá pela comunicação.



Para terminar a semana se coincidências, vi ontem o filme "Rosewater", no qual Gael García Bernal interpreta o jornalista iraniano Maziar Bahari, correspondente da Newsweek nas eleições presidenciais de 2009 e que se vê envolvido nas manisfestações contra o regime e as fraudes eleitorais. Lembro-me que estávamos em Madri naquela época, em uma missão da Secretaria de Gestão do Ministério do Planejamento para troca de experiências bem-sucedidas no campo da gestão. Apesar da qualidade do que vimos em orgãos como o cadastro geral de imóveis, a secretaria de segurança pública e a agência de avaliação da qualidade, confesso que nossa principal satisfação foi acompanhar, em tempo real, como os iranianos se faziam ouvir pelo mundo e traziam à tona suas reivindicações de democracia e liberdade.

Orgulhosos de pertencermos à mesma humanidade.




sexta-feira, 24 de abril de 2015

Image as a service (IaaS): Processamento digital de imagens de satélite via web - Parte 1

Neste artigo e no próximo apresentaremos como os sistemas de informações geográficas têm avançado para soluções em Cloud, e mais especificamente, como é possível realizar o processamento de imagens de satélite na web e em tempo real.

Acompanhe!




1. INTRODUÇÃO

Imagens de sensoriamento remoto de alta resolução vêm sendo usadas para uma série de atividades de planejamento, monitoramento e tomada de decisão visando o desenvolvimento sustentável da sociedade. O satélite chinês de sensoriamento remoto ZY-3 (ZiYuan-3) operado pela empresa estatal chinesa SASMAC (Satellite Surveying and Mapping Application Center) é um exemplo de uma nova geração de plataformas com sensores de alta resolução espacial focados em mapeamento sistemático e que contribuem para um entendimento mais profundo da superfície terrestre e sua dinâmica. O ZY-3 foi lançado em 2012 é foi desenhado para mapeamento topográfico e monitoramento ambiental através de um par estereoscópico de sensores. Ele carrega 3 câmeras que produzem imagens forward, backward e nadir, além de um sensor multiespectral com uma banda no infravermelho próximo (FANG & CHEN, 2012).
Entretanto, manipular e processar estes dados o enorme volume de dados atuais necessita de profissionais altamente capacitados, hardware adequado e softwares específicos de processamento digital de imagens (PDI), o que acaba por dificultar a geração de produtos da informação que atendam às necessidades dos órgãos públicos e privados. Atualmente se observa uma forte tendência de utilização da Computação em Nuvem - cloud (BUYYA et al, 2009) para estruturação de ambientes computacionais que permitam o processamento remoto de dados de forma segura e simples. Através da cloud empresas e usuários tradicionais são capazes de acessar aplicações sob demanda em qualquer localidade, a qualquer momento e  em qualquer dispositivo (desktop e mobile), com um esforço mínimo de gerenciamento. Estes avanços têm criado novos paradigmas, transformando o desenvolvimento de software como nós o conhecíamos e o tornando algo consumível como serviço (Software as a Service – SaaS) ao invés de poder ser executado apenas em computadores individuais. Hoje em dia, é comum acessar conteúdos pela internet sem ter conhecimento sobre a infraestrutura física que está hospedando tais aplicativos.
Recentemente, estas duas tendências tem convergido, fazendo com que o processamento digital de imagens possa ser realizado na cloud, através de sistemas de informação geográfica (GIS, em inglês). na web.


2. OBJETIVOS

O objetivo deste trabalho é simular um ambiente web, onde seja possível realizar o PDI de forma remota e em tempo real (on-the-fly), através da cloud, visualizar os resultados em um Web GIS e permitir que tais resultados sejam acessíveis para qualquer tipo de dispositivo. Serão utilizados métodos de geração de cache e vínculos dinâmicos para visualização das imagens do satélite ZY-3, diversas ferramentas de PDI (filtros, realces, índices de vegetação e outros produtos de valor agregado) também estarão disponíveis e haverá um catálogo online de imagens em uma interface amigável e intuitiva. Ou seja, será criada uma estrutura completa capaz de fornecer Imagens como um Serviço (Image as a Service - Iaas).

3. REFERENCIAL TEÓRICO

3.1   Imagens de satélite & Processamento Digital de Imagens
Sensoriamento Remoto pode ser definido como a ciência de adquirir, processar e interpretar imagens que registram a interação entre a matéria e a radiação eletromagnética (SABBINS, 1996). Como dito, um dos principais produtos do sensoriamento são imagens, geralmente orbitais e que visam a observação da terra nas áreas de recursos naturais, ocupação humana, planejamento urbano e regional, dentre outras.
Imagens de satélite são importantes para diversas aplicações, tais como:

  •  São um background natural para muitas aplicações GIS, sendo geralmente utilizadas para apoiar a navegação;
  • Interpretação direta para extração de feições geográficas, como rodovias, hidrografia, moradias e outros aspectos relevantes da paisagem;
  • Fonte para digitalização de mapas vetoriais usando GIS (2D e 3D);
  • Validação de dados vetoriais, pois sempre surgem questões sobre a confiabilidade de determinados dados vetoriais e geralmente diferentes imagens de satélite são utilizadas para verificar a consistência destes dados. 


Imagens de satélite são a base da maioria dos mapeamentos realizados através de Sistemas de Informações Geográficas. Muitas organizações necessitam gerenciar catálogos de imagens de diversas fontes e que vêm crescendo cada vez mais rápido. Com a grande a quantidade de dados emergem dificuldades em gerencia-los, processa-los e distribui-los para seus usuários.
               O valor das imagens de satélite é maior quando um grande número de usuários tem acesso rápido e fácil a elas. Os procedimentos convencionais de gerenciamento, processamento e distribuição consomem muito tempo, e os usuários podem ter dificuldades em acessar e utilizar as imagens sem um software com interface simples. Quando uma nova imagem é gerada por um sensor, antes dos usuários a utilizarem, é preciso esperar até que ela seja processada, carregada em um banco de dados e disponibilizada através de um sistema de distribuição. Este é um processo lento e oneroso, que pode ser superado a partir da automatização deste fluxo de trabalho em um sistema na cloud.
               Os requisitos dos usuários de imagens de satélite variam desde necessidades mais básicas como utiliza-las como um background para visualização, até demandas mais avançadas como análises estatísticas baseadas nos valores dos pixels. A lista a seguir demonstra alguns destes requisitos:

Acessar grandes áreas em alta resolução: usuários devem ser capazes de visualizar grandes áreas em qualquer escala, em diferentes projeções cartográficas sem precisar selecionar imagens ou tiles específicos.

  • Uso múltiplo: usuários necessitam acessar a mesma imagem em aplicações Web e Desktop;
  • Rapidez: Imagens devem estar acessíveis de forma quase instantânea em qualquer escala.
  • No tempo certo: usuários comumente demandam as imagens mais atuais. Para algumas aplicações, como resposta à desastres naturais, este fator é crítico.
  • Metadados: Acesso à metadados sobre as imagens (individuais ou mosaicadas), como data, produtor e parâmetros do sensor são fundamentais.
  • Análise: usuários avançados utilizam imagens para análises espaciais e extração automática de feições, em um ou vários momentos no tempo (análises multi-temporais).



O volume de imagens cresce exponencialmente a medida que se vai derivando subprodutos delas, como orto-imagens, classificações, segmentações e etc. Mesmo quando já se utiliza uma imagem processada, existe um custo substancial de tempo, de armazenamento e financeiro necessários para carregar o conteúdo vindo de um ambiente servidor.

3.2 O satélite ZiYuan-3 (ZY-3)
Lançado em 09 de Janeiro de 2012, o ZiYuan-3 (ZY-3) é o primeiro satélite chinês civil de alta resolução voltado para mapeamento. A missão é orientada para criação e mapas temáticos e sistemáticos nas escalas 1:50000 e 1:25000 (GRAÇA et al., 2014; XIAOMING et al., 2013). O satélite possui quatro sensores, sendo um multispectral e um Pancromático (Nadir), um de visada frontal (Forward) e outro de visada posterior (Backward) que permitem a construção de pares estéreos para geração de modelos digitais de elevação (D’ANGELO, 2013).
               As imagens vêm sendo amplamente utilizadas para mapeamento e topografia, agricultura, floresta, conservação ambiental, mitigação de desastres naturais, planejamento urbano, navegação, dentre outras aplicações.


TABELA 1 - PLATAFORMA
Características
Especificações
Veículo Lançador
CZ-4B carrier rocket
Local de lançamento
Taiyuan Satellite Launching Center
Carga
2630 kg
Duração da missão
5 anos
Ciclo de revisita
5 dias (15o de Inclinação) / 59 dias no Nadir
Altitude orbital
505 km
Inclinação orbital
97.421
Horário de cruzamento no Equador
10:30 AM
Órbita
Sol-síncrona


TABELA 2 - CÂMERA TRIPLE LINEAR-ARRAY

Características
Número de sensores
3 (nadir, forward, backward)
Comprimento de onda
0.5 – 0.8μm
Resolução espacial
2.1m (nadir); 3.5m (forward e backward)
Distância focal
1700mm
Área imageada
51km (nadir); 52km (forward e backward)
Tamanho do Pixel
7 μm (nadir); 10 μm (forward e backward)
Campo de visada
Resolução radiométrica
10 bits



TABELA 3 - CÂMERA MULTISPECTRAL

Características
Número de sensores
1
Comprimento de onda
Azul: 450-520nm
Verde: 520-590nm
Vermelho: 630-690nm
Infravermelho: 770-890nm
Resolução espacial
5.8 m
Distância focal
1750mm
Campo de visada
51km
Tamanho do pixel
20 μm
Resolução radiométrica
10 bits


               Estão disponíveis os seguintes produtos extraídos do satélite ZY-3, sendo que para este trabalho foram utilizadas apenas imagens “sensor corrected”:

1.      Sensor corrected: A atitude da plataforma e suas efemérides são aplicadas à imagem com o objetivo de realizar correções relativas à radiometria e à ótica do sensor.

2.      DOM (Digital Orthographic Map): Correções radiométricas, gemétricas e da ótica do sensor são aplicadas aos dados. A precisão do produto depende da qualidade dos pontos de controle de campo ou do modelo digital de elevação utilizado.

3.      DSM (Digital Surface Model) & DTM (Digital Terrain Model): O modelo digital de superfície (DSM) é gerado automaticamente pela combinação das imagens frontais e posteriores, com resolução espacial mínima de 3.5 metros. A partir de técnicas de restituição semi-automatizada, também é possível a produção do modelo digital de terreno (DTM), com o mesmo nível de qualidade presente no DSM.

4.      DLG (Digital Linear Graphic): O Digital Linear Graphic é o produto resultante da aplicação de técnicas de mapeamento digital, tais como vetorização estereoscópica em 3D e restituição topográfica.


3.3 Image as a Service
            Existem diversos trabalhos que discutem o processamento e compartilhamento de imagens de satélite e sistemas de informações geográficas através de serviços web (DENG et al., 2004; AULICINO, 2006; PICHLER & HOGEWEG, 2009; ZHAO et al., 2012; DENG et al., s.a.). Com os recentes avanços científicos e tecnológicos, diversas empresas privadas, muitas vezes em parceria com universidades e institutos de pesquisa têm disponibilizado uma série de ferramentas (I3geo, MapServer, ArcGIS Server, Geoserver e etc.) que visam suportar este tipo de demanda. Neste trabalho será utilizado o ArcGIS Server, da Esri Inc., visto que sua matriz de funcionalidades é mais ampla que os demais produtos existentes, tendo módulos específicos para processamento digital de imagens.
O ArcGIS Server é um completo sistema de informação geográfica baseado em servidor. Ele apresenta de forma nativa aplicações e serviços para gestão de dados espaciais, visualização e análise espacial. Também permite a publicação e compartilhamento de dados geográficos, mapas, modelos e etc. Com isto, é possível criar aplicações web, desktop e mobile consumindo estas informações geográficas (PICHLER & HOGEWEG, 2009).
Com esta ferramenta, é possível criar uma ampla gama de serviços web, incluindo de imagens. Estas imagens podem ser armazenadas em um servidor e se tornar diretamente acessíveis via serviços WMS (Web Map Services), WCS (Web Coverage Services) e KML Services. A possibilidade de utilizar estes serviços, que são abertos e especificados pelo OGC (Open Geospatial Consortium), faz com que não seja necessário nenhum tipo de conversão do formato dos dados a serem disponibilizados. Enquanto o servidor processa unicamente os dados solicitados pelo cliente, o ArcGIS Server é capaz de realizar reprojeções e comprimir as imagens para serem utilizadas em redes com baixa largura de banda.


O ArcGIS Image Extension for Server amplia as capacidades do ArcGIS Server para permitir gerenciar um grande volume de imagens e também servi-las como serviços, incluindo metadados detalhados e produtos derivados de técnicas de PDI. O PDI é realizado de forma instantânea (on-the-fly), sendo possível realizar realces, extração de bandas, fusão (pansharpening), assim como correções geométricas, reprojeções, recortes e ortorretificações. Esta capacidade permite criar diversos produtos a partir de um único conjunto de dados, sem redundância de informação ou pré-processamento (PICHLER & HOGEWEG, 2009). O ArcGIS Desktop também possui um plug-in especifico para o ZY-3 desenvolvido pela Esri China que otimiza diversos processamentos através da leitura dos metadados das imagens. 



Fonte: Gavlak, A. A., Araújo, E. H. G., Graça, L. M. A. IMAGE AS A SERVICE (IAAS): PROCESSAMENTO DIGITAL DE IMAGENS DO SATÉLITE ZY-3 VIA WEB. In. Congresso Brasileiro de Cartografia, Gramado/RS, 2015.




quinta-feira, 23 de abril de 2015

Arquitetura Corporativa e os 10 Princípios para a Boa Governança Pública – Parte 1


Olá! No artigo anterior vimos como a Arquitetura Corporativa pode apoiar a adesão ao Referencial Básico de Governança publicado pelo TCU.

Neste artigo trataremos de uma proposta apresentada pelo Instituto Brasileiro de Governança Pública (IBGP) durante o I Fórum de Governança Corporativa, ocorrido na Sede do Serpro, em Brasília, em agosto de 2014.

A palestra realizada por José Geraldo Loureiro Rodrigues, Diretor Executivo do IBGP, abordou a evolução da governança corporativa no setor público baseada em regras para uma vertente baseada em princípios. O vídeo gravado da palestra pode ser acessado aqui.

Conforme afirmado por Loureiro os frameworks baseadas em Princípios são caracteristicamente vistos como mais flexíveis e menos rigorosos do que os frameworks baseados em Regras, permitindo assim mais espaço para personalização em organizações particulares e outras circunstâncias.

Governar por Regras”, a partir de uma perspectiva de governança, significa que uma organização pública tem o objetivo de moldar as atividades de outra, as vezes sem considerar a complexidade e variedade de arquiteturas de governança, ou, seus níveis de maturidade e aspectos culturais históricos.

Governar por Princípios” com foco em propósitos, metas e resultados dá autonomia e responsabilidade ao corpo governante das organizações e maximiza os recursos existentes para obtenção de melhores serviços públicos para os cidadãos.

Nessa linha, foram sugeridos os 10 Princípios para a Boa Governança Pública, trabalho desenvolvido por Loureiro em conjunto com o Professor Doutor João Souza Neto da Universidade Católica de Brasília:

1 - Compromisso com valores éticos em prol da sustentabilidade social e ambiental;

2 - Transparência dos atos, ações e decisões praticadas;

3 - Promoção do propósito e da noção de “Serviço Público”;

4 - Institucionalização das estruturas, papeis e direitos decisórios das organizações públicas;

5 - Envolvimento das partes interessadas no planejamento estratégico das organizações públicas;

6 - Gestão de riscos e de desempenho organizacionais para garantia da melhor entrega de Serviços Públicos;

7 – Ação organizacional com foco na otimização do dispêndio de recursos públicos;

8 - Atendimento às necessidades das partes interessadas de modo efetivo e sustentável;

9 - Desenvolvimento humano para a boa governança com foco na entrega de valor público;

10 – Eficácia dos controles e independência das verificações realizadas nas organizações públicas.

Durante o evento, Loureiro propôs também a criação de um grupo de trabalho conjunto entre IBGP e ePing para o detalhamento, discussão e publicação desses princípios. Este trabalho se encontra em desenvolvimento, já com os grupos definidos. Ainda que o mesmo não esteja concluído veremos, na 2a parte deste artigo, como o Modelo de Arquitetura Corporativa poderá auxiliar na aderência aos Princípios sugeridos pelo IBGP.
Até a próxima!