quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Seus projetos são em "W" ou em "M"?

Na década de 1920 o mundo do futebol viveu uma alteração fundamental de suas regras, com a redução para dois adversários entre um jogador e o gol para que fosse marcado um impedimento. Tal revolução levou o professor de geometria e treinador do Arsenal, Herbert Chapman, a armar um esquema tático revolucionário que se tornou base dos times ao redor do globo por várias décadas. Consistindo de três defensores, dois volantes, dois armadores e três atacantes, o sistema foi apelidado de "WM" pela semelhança dos vértices das letras com a disposição em campo dos jogadores. Uma das principais características daquela formação era a flexibilidade que o meio-campo assumia, podendo se adaptar facilmente a oponentes com estilos diferentes de jogo e a situações que ocorriam nas partidas.




Ainda sob os efeitos do espetacular show de Paul McCartney em Brasília, lembrei-me de outra história que usa as mesmas letras para outros fins. Em uma entrevista há muito tempo, Paul disse que um dos conhecimentos práticos que acumulou em sua vida de artista lhe foi repassado por um tio, músico amador, aconselhando-o a sempre investir em apresentações "em W" - e nunca "em M".

Segundo tal teoria, para manter a conexão do público e sua atenção durante todo o espetáculo, um artista deve iniciar o show com músicas alegres e de ritmo acelerado, reduzir para um conteúdo mais intimista e reflexivo lá pelos quarenta por cento da apresentação, subir um pouco o clima quando chegar à metade, recarregar as baterias quando estiver se aproximando do fim e, daí, acelerar o máximo que puder para concluir o show em alto estilo.

O contrário disso seria um show "em M", em que a conexão demoraria a engatar e, quando fosse a hora do artista apresentar seu conteúdo mais atraente, o público poderia não estar mais disponível.

Nossa vida e nossos projetos de melhoria de processos podem colher algumas lições do mundo "em W". Cada vez menos as pessoas dispõem de tempo e de disposição para trabalharem arduamente sem observar resultados - na verdade, elas desejam resultados mais rápidos e melhores em um ambiente de descontração, aprendizado, criatividade, bom clima organizacional e, por que não dizer, diversão.

Projetos de longo curso precisam daquelas chamadas "vitórias rápidas", que lavam a alma das equipes e demonstram que o caminho completo é possível. Da mesma forma, grandes cadeias de valor precisam ter resultados identificados e colhidos prontamente, mantendo a sintonia das pessoas com o mundo real e transformando, gradativamente, o contexto.


Veja um exemplo do show "em W" de McCartney do último dia 23, aqui em Brasília - agrupamentos de músicas em blocos com características similares, começando com "Magical Mystery Tour" e indo até "Back in the USSR".

Conexão total, empolgação, reflexão, divertimento, emoção... Em que a lógica "em W" pode auxiliar a sua vida?






terça-feira, 25 de novembro de 2014

Taxonomia XBRL e seus efeitos contábeis


O contador es bastante acostumado a viver neste mundo cheio de sopas de letras complexas tais como SPED(Sistema Público de Escrituração Digital), EFD (Escrituração Fiscal Digital), dentre outras. Aliada a estas citadas, existe uma em particular que vem tirando o sono dos colegas: XBRL.


O XBRL ( eXtensible Business Reporting Language) é uma linguagem de marcação e formato de transmissão usado para o reporte financeiro, econômico e contábil, atualmente utilizado para a emissão de relatórios entre os entes da federação e o Tesouro Nacional, através do sistema SICONFI(Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do setor público). Este sistema entrou em uso, através da Portaria 86/2014 que trata sobre o recebimento dos dados contábeis e fiscais correspondente ao exercício de 2013, e da Nota Técnica 2/2014 que esclarece quanto aos procedimentos de homologação e assinatura das declarações que serão preenchidas pelo sistema SICONFI, entre outras informações. Entretanto, o XBRL não é algo inventando agora: em 1999, Charles Hoffmann, iniciou as pesquisas sobre XBRL nos EUA, e em 42 países e sua implantação nestes lugares levou cerca de 6 a 8 anos, no Brasil esta a frente desta implantação desde 2001 o Laboratorio Tecsi-Fea-USP, sob o comando do Ilustre Doutor Edson Luiz Riccio.

Já era o tempo em que atrás de livros e nos subsolos das empresas, se escondiam os contadores, uma nova era de mudanças está acontecendo, desde a implantação das IFRS(International Financial Reporting Standards). É necessário conhecer novas tecnologias que transformam as informações contábeis que estão disponibilizadas em outro formato, como papel em arquivos eletrônicos, de forma a harmonizar tudo que diz respeito as demonstrações econômico-financeiras em um padrão único.

Por todo o exposto, se faz necessário que este novo profissional da área contábil transgrida a forma antiga de atuar em seu ofício de forma positiva, passando efetivamente a serem vistos de forma diferenciada, pelos empresários e pela sociedade, afinal ninguém fala melhor a língua do mundo dos negócios senão os Contadores.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

O suicida e o computador

Calma, calma, "o suicida e o computador" é apenas o título de uma crônica - e de um livro - do genial Luis Fernando Veríssimo. Na história, um escritor decide tirar sua própria vida porque, em suas palavras, "no fundo, no fundo, os escritores passam o tempo todo redigindo a sua nota de suicida. Os que se suicidam mesmo são os que a terminam mais cedo".

Quando já está com o pescoço no laço, desce do banquinho e resolve suprimir a segunda ocorrência da expressão "no fundo", por questões de estilo. Depois, considera a nota muito curta e acrescenta um texto explicativo. Pensa que está pronto para concluir o processo mas acaba se lembrando de uma frase de Borges que cai muito bem - e retorna ao computador para incluí-la.




Faz nova inserção na nota de suicídio, acrescenta outro parágrafo e, depois de ler o texto mais uma vez, guarda o arquivo na memória do computador para revisá-lo no dia seguinte. E vai dormir.

Lembrei-me dessa história ao participar do BPM Day Educação na Universidade de Brasília, no último dia 20. Depois das palestras daquela manhã, estávamos debatendo temas relacionados à gestão de processos, quando um participante questionou a respeito das armadilhas de ficarmos presos indefinidamente nas análises dos processos atuais sem que consigamos implementar melhorias na prática.

Minha opinião é que tal risco é real e é potencialmente amplificado quando o modelo de atendimento às demandas de processo apresenta algumas características. Por exemplo, encarar os ciclos de gestão de processos como longas sequências de etapas bem definidas (como planejamento, representação da situação atual, análise dos problemas, desenho da situação desejada) até o momento de implantar as melhorias. Nada contra tal ciclo - mas penso que ele é melhor explicado por ciclos de "eixo menor" (as "rodas pequenas que compõem a grande") que a figura global. Ou seja, o planejamento contém em si mesmo também a implantação, a situação atual já enseja uma ação de melhoria, etc. É impossível tentar deter o tempo requerido pela mudança freando as equipes de processo na implementação de soluções, porque desejamos que todos os componentes do processo estejam igualmente detalhados. Costumo brincar que quando atuava como consultor interno de processos, sentia que em algumas situações parecia querer "revogar a lei da gravidade" ao pedir às equipes de uma parte de um processo que não mais alterassem as representações a que havíamos chegado até que toda a cadeia de valor estivesse detalhada. Isso podia levar meses e, é óbvio, não tínhamos o controle de todas condições e variáveis envolvidas.

Nossa ansiedade também pode ser contida se nossos métodos incorporarem as noções que, se por um lado, a evolução dos processos é uma certeza (eles são "elementos vivos"), por outro podemos experimentar desde o princípio a implantação e os impactos de nossas melhorias, fracionando o grande processo em partes que se conectam e interagem o tempo todo. É uma visão mais holística de gestão.

E o melhor de tudo é que, tal qual na crônica do Veríssimo, todos se salvam no fim da história!



sábado, 22 de novembro de 2014

Teoria: O que são dados geográficos?

O que diferencia os chamados dados geográficos dos demais é sua componente espacial. Por isso eles também são chamados de dados espaciais. Quando falamos em componente espacial queremos dizer que estes dados são representações da superfície terrestre e estão relacionados com sua localização no espaço, ou seja, podem ser posicionados em determinada região geográfica tendo por base suas coordenadas, geralmente oriundas de uma projeção cartográfica. Assim, com base nessas informações, torna-se possível a análise do espaço geográfico.

Ao se trabalhar com dados geográficos, é bastante útil determinar relações topológicas como adjacência, pertinência, intersecção, cruzamento e proximidade. Por exemplo, em determinado projeto pode surgir a questão: Que municípios são cortados pelo Rio Paraíba do Sul?


Conforme destaca a figura abaixo, os dados geográficos são agrupados em duas grandes classes ou modelos de representação, a saber: vetorial e matricial (raster).

Estas classes de representação se referem a forma na qual os dados espaciais são armazenados (vetores ou matrizes).

Classe Vetorial

Dados espaciais armazenados no modelo vetorial tem a localização e os atributos gráficos de cada objeto representadas por pelo menos um par de coordenadas.

Nesta classe as entidades podem ser apresentadas na forma de pontos, linhas (arcos e demais elementos lineares) e polígonos (áreas), conforme a figura abaixo.


.


Pontos são utilizados para representar, por exemplo, a localização de crimes ou ocorrências de doenças. Linhas tem aplicação na representação de redes de esgoto, traçado de rios e semelhantes. Polígonos podem representar desde lotes de uma quadra até continentes.


Com respeito aos polígonos é digno de nota observar que estes dividem o plano em duas regiões: o interior, que em geral inclui a fronteira do polígono fechado e o exterior.

Classe Matricial

Neste modelo, a representação é feita através de uma matriz composta de um certo número de colunas e linhas, onde cada célula tem um valor correspondente ao atributo analisado e pode ser localizada pelo cruzamento entre as linhas e colunas.

A figura a seguir ilustra a representação raster em duas diferentes resoluções espaciais. Note que as células da imagem da esquerda são maiores que as da imagem da direita, o que significa que a segunda tem melhor resolução espacial.



A escolha do uso do modelo vetorial ou matricial dependerá de diversos fatores, pois ambos apresentam vantagens e desvantagens na sua utilização. Por exemplo, a classe raster representa melhor fenômenos com variação contínua no espaço. Já o armazenamento na forma de vetores (por coordenadas) é mais preciso.

Um clássico exemplo de dados matriciais são as imagens de satélite!


Referências:

CÂMARA, G., CASANOVA, M.A., DAVIS JUNIOR, C., VINHAS, L., QUEIROZ, G. Banco de Dados Geográficos, Curitiba, Editora MundoGEO, 2005. Disponível em: <www.dpi.inpe.br/livros/bdados/cap1.pdf> Acesso em 19 de Mar. de 2010.

CÂMARA, G., DAVIS JUNIOR, C., MONTEIRO, A. M. Introdução à Ciência da Geoinformação, INPE. Disponível em: <http://www.dpi.inpe.br/gilberto/livro/introd/> Acesso em 19 de Mar. de 2010.

MEDEIROS, A.M. L. Curso de Introdução ao uso de Geotecnologias Livres, 2009, João Pessoa.


sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Estrutura da taxonomia SICONFI

Se você ainda não obteve os arquivos da taxonomia XBRL(eXtensible Business Reporting Language) do SICONFI (Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do Setor Público Brasileiro), vá até esta página do Portal SICONFI e faça o download.

Nesta postagem vamos falar um pouco sobre a estrutura da taxonomia. Ao descompactar o arquivo, você vai encontrar um arquivo de exemplo de instância XBRL, e duas pastas contendo as especificações da taxonomia XBRL.



Definições centrais

A primeira pasta, chamada "cor" (do inglês "core"), é onde estão localizadas as definições centrais da taxonomia, organizadas em duas subpastas: "dim" (do inglês "dimension") e "ic" (do inglês "information classification").

Nestas subpastas há arquivos que descrevem as dimensões (característica de um fato contábil) aceitas pela taxonomia, como por exemplo "Restos a pagar", "Saldo anterior", etc. Também há arquivos que associam rótulos (textos em língua portuguesa) com cada uma das definições, facilitando a compreensão das informações fornecidas.

Definições de relatórios

A segunda pasta, chamada "rep" (do inglês "report"), por enquanto contêm apenas a subpasta "dca", a qual possui várias subpastas, cada uma descrevendo a parte da taxonomia que se aplica a cada um dos anexos existentes na Declaração de Contas Anuais.

Como exemplo podemos tomar o Anexo I-AB, que consiste no relatório "Balanço Patrimonial - Ativo e Passivo". Há um arquivo especificando como elaborar este relatório fazendo uso do padrão XBRL e da taxonomia do SICONFI. O mesmo vale para os demais relatórios previstos.

Nas próximas postagens continuaremos avançando no conhecimento da taxonomia do SICONFI.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Entropia e Sintropia: a luta pela Sobrevivência.



(Imagem:cienciasdejoseleg.blogspot.com.br)


Segundo o princípio da Entropia todo sistema sofre deterioração. Para que o sistema continue existindo há que desenvolver forças contrárias a Entropia: a Sintropia. 


Portanto, todo organismo que não se adapte ao seu ambiente tende a desaparecer ou ser substituído por outro mais adequado.


Num mundo super competitivo com variáveis internas e externas mutantes, com uma tecnologia que salta a cada ano, relações de mercado cada vez mais complexas, as organizações vem buscando a otimização de seus Sistemas de Valor através da intercooperação de seu atores (fornecedores, intermediários, clientes, outras partes interessadas) e mesmo concorrentes. Desta maneira, forma-se o que foi conceituado por James F. Moore de Ecossistema de Negócio. Sobre o assunto sugiro a leitura do excelente artigo de José Davi Furlan.

O Estado realiza suas funções por meio de diversos órgãos que são estruturados de acordo com o plano de governo de cada executivo e a legislação vigente. Obviamente os órgãos públicos não se extinguem ou se reestruturam de acordo com o mercado e a economia, no entanto, essas organizações também sofrem o efeito da Entropia e com o tempo tendem a perder a sua eficácia, tendo em vista a dinâmica da sociedade, suas novas exigências e a limitação de recursos.

Desta maneira, as organizações públicas podem não desaparecer como as privadas, no entanto, ao não realizarem o movimento de Sintropia, acabam por onerar o Estado que, ao manter uma organização decrépita (ineficiente e ineficaz), impede o aprimoramento de suas funções, incorrendo em um custo social que podemos constatar nos fracos resultados das políticas publicas, comprometendo o sistema como um todo.

No sentido oposto, quando a organização pública entra num ciclo de melhoria contínua, por meio de técnicas gerenciais adequadas, se torna eficiente, pois otimiza os recursos públicos investidos e eficaz, pois sendo mais flexível se adapta melhor e mais rapidamente as demandas por seus serviços. No entanto, se tal organização não se vê como parte de um sistema maior (função de Estado) os benefícios ficam restritos aquela unidade do sistema, deixando, assim, de aperfeiçoar o Ecossistema em que está inserida.

A exemplo das organizações privadas o Estado deve buscar um enfoque sistêmico para a Gestão Pública, agindo de forma integrada e sinérgica,  não  somente por uma questão de produtividade, mas principalmente por uma questão de sobrevivência.  

Até a próxima!!

Os Negócios Digitais e a Arquitetura Corporativa

A rede mundial de computadores, ou Internet, surgiu em plena guerra fria, ainda na década de 1960, visando objetivos militares. À época, os Estados Unidos buscavam uma maneira de manter suas comunicações ativas, mesmo em caso de ataques sobre os meios tradicionais de comunicação.

Ainda em seus primórdios, durante os anos 70 e 80, foi bastante utilizada no meio acadêmico permitindo a professores e estudantes universitários a troca de mensagens e ideias sobre pesquisas.

Na década de 1990 a Internet obteve ampla expansão em função da disponibilização dos navegadores, das interfaces gráficas e do surgimento de provedores de acesso.

Ainda hoje, a Internet revoluciona o funcionamento da sociedade, sendo fundamental para um modelo econômico denominado “Economia Digital”. Nesta nova economia, as redes e infraestruturas de comunicação digital fornecem  uma plataforma global onde as pessoas e organizações, definem estratégias, interagem, comunicam, colaboram e procuram informações para atuações conjuntas.

A professora Jeanne W. Ross é a principal cientista de pesquisas no MIT Sloan School of Management e diretora do MIT Sloan School Center for Information Systems Research (CISR), especializada em Arquitetura Corporativa, Governança de TI e Gestão. Ela utiliza muito de seu tempo estudando como as empresas estão se preparando para a economia digital.

Jeanne Ross foi a principal palestrante no evento Oracle Enterprise Architecture Summit 2014, onde apresentou suas experiências na interação com executivos de empresas que buscam desenvolver uma vantagem competitiva por meio da implementação e reutilização de plataformas digitais, transformações de negócios baseadas no uso intensivo da Tecnologia da Informação e inovação digital.

Ross observa que os negócios digitais estão em alta, mas exigem cuidados. Ela sustenta que há uma cartilha para a economia digital. “Para se tornar um negócio digital, todas as funções de negócios precisam ser integradas”, diz ela, “e é isso que a arquitetura corporativa faz, entretanto, nem todos os executivos se dão conta disso”.

Ross usa a sigla SMACIT (Social + Mobile + Analytics + Cloud + Internet of Things) para descrever as principais tecnologias de negócios digitais da atualidade: Redes Sociais, Dispositivos Móveis, Analytics, Computação em Nuvem e Internet das Coisas. No entanto, tornar-se um negócio digital não se trata apenas de adotar essas tecnologias.

As empresas estão inundadas com dados. Elas precisam processar esses dados, bem como coordenar as atividades, tanto dentro como fora da organização. Para atingir estes objetivos de uma forma positiva, Ross delineia quatro estratégias de negócios, que são mostrados na figura a seguir:

Indústrias como a de viagens e meios de comunicação têm sido completamente atropeladas por estas tecnologias. Elas foram forçados a repensar suas ofertas em termos de estratégia de produto e serviço digital. Muitos outros segmentos da indústria estão começando a ver grandes benefícios na adoção de tecnologias SMACIT e buscam aproveitar os recursos digitais para criar produtos e serviços mais competitivos.

Muitas dessas empresas não sabem o que precisa acontecer “nos bastidores”, dentro dos domínios do Marketing, Operações Digitais, Local de Trabalho Digital e Segurança. Sem o uso da arquitetura corporativa, as empresas tendem a abordar estas oportunidades em silos, muitas vezes criados por linhas individuais de negócios e, em seguida, "ligados entre si" por pessoas de TI, como mostrado abaixo, o que, nem sempre, leva a bons resultados.


A tarefa dos arquitetos corporativos é a concepção de plataformas de negócios coesas, não apenas aplicações pontuais. Os arquitetos devem dar um passo atrás para considerar a base tecnológica que suporta todas as linhas de negócios, combinada a aplicativos específicos que compartilham dados e apoiam os processos de forma disciplinada. Como arquitetos corporativos impõem padrões, otimizam o núcleo da organização buscando  modularização e reuso de recursos, eles podem melhor integrar os esforços e plataformas que a empresa utilizará  para se tornar uma empresa digital.

No próximo artigo descreveremos algumas histórias reais apresentadas pela professora Ross, sobre empresas que adotaram tecnologias SMACIT associadas a iniciativas de arquitetura corporativa.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Governança aplicada aos processos da Cadeia de Valor

Em algumas empresas a capacidade de trabalho instalada não é suficiente para atender plenamente às demandas atuais por serviços, no que tange aos prazos pactuados com os clientes e à eficiência das soluções disponibilizadas, implicando em descumprimento de prazos e afetando a qualidade dos serviços.

Uma agravante que pode desencadear atrasos na entrega do serviço ao cliente é a dependência de duas ou mais áreas, configurando uma situação bastante delicada: caso uma área atrase a execução de alguma de suas atividades, o funcionamento de todo o sistema pode ser comprometido.

É preciso, portando, identificar os processos críticos e de relevância estratégica da organização que entregam valor aos clientes. 

O diagrama da figura 1 representa as pessoas distribuídas nas áreas da organização executando atividades ligadas aos serviços já mapeados e aos processos da Cadeia de Valor.

Figura 1 – Diagrama das Atividades

A automação da gestão dos processos de negócio pode ser efetuada com o auxílio de uma ferramenta de BPMS (fig. 2).

A definição de indicadores chave de desempenho possibilita o gerenciamento da estratégia e contribui com informações importantes para a tomada de decisão.

Figura 2 – Business Process Management Suite - BPMS 

De acordo com o Guia para o BPM CBOK os indicadores de desempenho permitem focar a análise de cada ator do processo e encontrar elementos que contribuam para a transformação. 

Ao final, as mudanças proporcionarão aumento de produtividade, melhoria da qualidade, aumento da capacidade e redução de tempo do processo.

Governança de Dados é fundamental para a implantação dessa estratégia, pois procura garantir volume, velocidade, variedade, veracidade e valor da informação.

Isto exige um gerenciamento dedicado e adequado, o que pressupõe o estabelecimento de um processo contínuo de monitoramento, aprimoramento e distribuição destes dados. 

Figura 3 – Baseado no: The IBM Data Governance Unified Process

Para isso, é necessária a criação de uma estrutura como a da figura 3 para gestão deste ambiente, de forma a garantir a aderência permanente das informações às necessidades da organização.

Confira as próximas informações sobre governança e interoperabilidade aqui no blog da Comunidade Áreas de Integração ou no SGT Governança Corporativa


segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Um cara fenomenal!

Não consegui enganar o tempo e fiz aniversário no último sábado - o que, aliás, foi ótimo! Depois de mais de dez anos sem ter bicicleta em casa, ganhei da Cláudia, do Felipe e da Luísa uma especialíssima, feita de alumínio, e passei o fim-de-semana pedalando em trilhas e mais trilhas.

Outro presente que eles (generosos) me deram foi a recém-lançada biografia de Gustavo Kuerten, "Guga - um brasileiro". Guga parece uma unanimidade nacional, mesmo tanto tempo após sua aposentadoria. Seu carisma, sua simplicidade e sua conexão com a torcida brasileira o colocam em um patamar dos grandes ídolos nacionais.



Não me contive e comecei a ler o livro imediatamente; os capítulos vão se alternando entre histórias mais recentes (quando Kuerten começou a colocar seu nome na história do esporte brasileiro) e outras da infância e do período de formação do ídolo. Logo em uma das primeiras passagens, Guga menciona aspectos da sensacional partida contra Kafelnikov em Roland Garros, no ano de 1997. E fala de coisas que acontecem no dia-a-dia dos processos pessoais e organizacionais.

Quando se enfrentaram, Kafelnikov era o campeão do torneio francês e figurava na terceira posição do ranking mundial - Guga, por sua vez, estava abaixo da octogésima colocação e tinha ganho uma única vez de um adversário classificado entre os top ten. Seu plano para vencer o russo era uma mistura de aspectos práticos e aspectos contextuais: de estilo similar ao seu, Kafelnikov gostava de trocar longas bolas no fundo de quadra, cansando o oponente, e desferir potentes backhands. O técnico de Guga, Larri Passos, sabia que Kafelnikov tinha duas principais deficiências: demorava a entrar no jogo e se complicava com bolas altas. Assim, Guga montou o seu "processo de jogo" dando grande atenção a subir a altura das bolas que devolvia e, também, estendendo seu aquecimento até a hora do início do jogo (assim, entraria mais "ligado" em quadra e aproveitaria os primeiros games).

 Até aí, eu diria que é a parte que todos costumamos identificar em nossos processos - aspectos mais voltados a fatores objetivos, ao mundo das "atividades". O que Guga transmite com tanta clareza, porém, é todo um outro conjunto de aspectos contextuais e comportamentais que fazem parte do jogo, e que podem determinar seu resultado: o voo de um pássaro sobre a quadra que desconcentra permanentemente o tenista, medos do passado que voltam à tona quando um ponto fácil é perdido, a reação às manifestações da torcida e a imprevisibilidade natural que cerca o esporte - e, por que não?, a vida.

Pilotar um avião pode envolver um conjunto de procedimentos complicados e sensíveis - mas tão ou mais importante que isso é saber se o experiente piloto está com alguma preocupação e se apresenta um bom estado físico quando no comando da aeronave. As representações modernas de processos, em geral, trazem registro desses outros aspectos e, principalmente, apresentam planos para condições que podem ocorrer mesmo quando não conhecemos direito as atividades envolvidas ou as causas para sua existência.

Fenômenos incríveis que fazem, por exemplo, um menino feliz, magrelo e desengonçado se tornar o número 1 do mundo!



quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Skype, desafios e ameaças futuras


Os indicativos numéricos do Skype não deixam a menor dúvida quanto ao seu sucesso. Este aplicativo foi baixado cerca de 145 milhões de vezes desde sua criação. Nos cálculos da empresa, ela conta com mais de 47 milhões de usuários. Mais de 1,8 milhão de pessoas utilizam o SkypeOut, que é o serviço pago onde é permitido aos usuários a conexão com os telefones convencionais utilizando o computador a custos baixos.

Entretanto, os desafios e ameaças do Skype são diversos. E este é um problema crescente pois a concorrência entre serviços é bem acirrada, então muitos apps são criados com a proposta de ganhar terreno no campo em que o Skype domina. A Google, por exemplo lançou o Google Hangouts, a Apple lança o FaceTime e a Viber Media lança o Viber e até um software japonês chamado Line entrou nessa briga. Ou seja, o que não falta é concorrência para o Skype.

O Skype se viu diante de um grande desafio, teve que se adaptar rapidamente. A maioria dos consumidores de tecnologia estão usando celulares e smartphones e deixando de lado o uso de linhas fixas de comunicação.

Sabe-se que o Skype tinha maior uso em computadores de mesa, desktops e, portanto, esta é uma grande ameaça e significa a necessidade de realizar avanços que com rapidez  para atingirem, também, o segmento de telefonia móvel.

Agora, já existe no mercado o Skype para smarthphones, tablets, que fazem chamadas de voz e com vídeo para qualquer pessoa que também use o Skype, seja ela usuária de Android, iPhone, Mac ou PC, finalmente.

O Viber é um aplicativo popular que faz chamadas e envia mensagens para outros usuários gratuitamente em smartphones. Atualmente lançou uma versão para  computadores de mesa com sistemas operacionais OSX(ibm) e Windows. Este serviço foi lançado em 2010 por uma start-up de Chipre, passando a ser então uma das maiores concorrentes do Skype da Microsoft, em todos os serviços e em todas as frentes.

Diferentemente ao Skype, onde os usuários têm de criar um nome de usuário (username), o sistema do Viber usa os próprios números dos celulares e smartphones, sem contar que no Skype esta é uma funcionalidade paga.

Para computadores o Viber criou aplicações que incluem a possibilidade de chamadas de vídeo, fazendo distinção das versões móveis (o Skype tem esta funcionalidade em ambos os tipos de dispositivo), e é possível fazer a transferência de chamadas entre computadores, tablets e smarthpnones.

O Skype passou a deixar de lado as conexões do software de conferência em PCs e se expandiu rapidamente para app de videoconferência livre. Mesmo assim o Google não perdeu tempo e lançou o Google Hangouts, com suas funcionalidades semelhantes a do Skype, com intenções claras de tomar, para si, o título de app mais usado.

Embora semelhante em conceito, o Hangouts difere do Skype em muitos aspectos. A EducationWorld examinou ambos os aplicativos e compilou uma lista de prós e contras de cada plataforma para facilitar o entendimento e a escolha dos usuários.

Outra ameaça, o Line é um software japonês, que vem sendo definido como a resposta oriental para o Skype. Seus números são também impressionantes, em 23 meses já tem 150 milhões de usuários No primeiro trimestre, as vendas da companhia baseada em Tóquio cresceram 92%, atingindo US$ 57 milhões. Depois de atravessar as fronteiras da Ásia, o aplicativo já ocupa o primeiro lugar na lista dos downloads gratuitos em mais de 40 países.

No Brasil, o desafio a ser ultrapassado é a ação da Embratel, em dar a liberdade tarifária, já em 2014, para ligações internacionais, numa clara ameaça a evolução de outros serviços, pois a Embratel não sofre somente a competição de outras empresas, mas a concorrência de serviços como Skype.

Como passo para visão de futuro da Microsoft, conforme é comentado nos EUA, já existe a possibilidade de desfrutar do Skype no Outlook, desde a pasta de entrada do gestor de correios pode-se usar o Skype. Antes, com o Messenger no Hotmail, podia-se escrever textos, entretanto agora, com o Skype no Outlook podemos nos utilizar das videochamadas. As contas do Outlook poderão fazer praticamente tudo. Utilizar as redes sociais, enviar mensagens de correio eletrônico (claro) e agora falar em vídeo e chat com os seus contatos. Esta é uma das apostas que a Microsoft faz, pois desde que adquiriu o Skype foram dados passos em direção da integração do Skype dentro da nuvem de programas da Microsoft.

Conclusão

Sem nenhuma dúvida o Skype é um sucesso e foi o aplicativo revolucionário dos últimos tempos, e o grande  precursor das chamadas de vídeo, entre usuários.

Eu mesmo tive uma experiência bem positiva, há 4 anos atrás, onde através do Skype instalado no meu computador de casa, pude VER e OUVIR o meu filho que estudava na faculdade de Coimbra, do outro lado do Atlântico, e que não nos víamos há mais de 1 ano, imaginem a emoção que foi esse reencontro via Skype e, diga-se de passagem, com uma nitidez impressionante. A partir daí tivemos (nós, a família) o Skype como o principal software do nosso computador. 

O serviço de videoconferência em grupo, recentemente habilitado (Skype Premium) é um dos pontos altos e positivos, onde é possível configurar com muita facilidade uma conferência entre várias pessoas em lugares bem distintos, sem que haja travamentos ou perda na qualidade.

No contexto atual, no qual as redes sociais estão em voga, e que todas as pessoas, de 8 a 80 anos, estão buscando  a conectividade e se dedicando à quebra de paradigmas, como na participação das redes sociais, sob pena de se sentirem excluídos, afinal hoje em dia TODOS estão ON...

Por isso, imaginem a integração do Skype com o Facebook, este é outro aspecto que deve facilitar a vida de muitos usuários.

A Microsoft busca a integração com o Outlook e se eu pudesse intervir nos rumos estratégicos de futuro, eu buscaria um acordo com o Facebook para em parceria ganhar mais fôlego de mercado.

O que não faltam são concorrentes para o Skype, os desafios são sempre presentes com o surgimento de apps que se propõe a oferecer as mesmas atividades e serviços, e estão vindo fortes nos celulares: o Viber, WhatsApp, Hangouts, FaceTime dentre outros.

Há quem diga que o desafio do Skype é “conseguir ganhar dinheiro”, se transformando em uma empresa operadora de telefonia com abrangência mundial. Mas, na minha opinião o maior desafio do Skype é “SE MANTER VIVO!”. E eu torço pro isso ... Confesso!

Bibliografia

http://ebookbrowse.com/desafios-do-skype-na-coleta-de-dados-na-pesquisa-em-educacao-online-pdf-d160952141

http://outlookentrar.net/skype-no-outlook/

http://www.educationworld.com/a_tech/skype-versus-google-hangouts.shtml

http://www.publico.pt/tecnologia/noticia/viber-lanca-aplicacao-para-computador-e-concorre-com-skype-em-todas-as-plataformas-1593662

https://play.google.com/store/apps/details?id=com.skype.raider&hl=pt_BR

http://www.wharton.universia.net/index.cfm?fa=viewArticle&id=1025

http://search.folha.com.br/search?q=skype&site=online

http://www.olhardireto.com.br/noticias/exibir.asp?id=62072

http://www.yourfilezone.com/signup?sf=search_books&ref=4947201&q=DESAFIOS+DO+SKYPE+NA+COLETA+DE+DADOS+NA+PESQUISA+EM+EDUCACAO+ONLINE+pdf

http://skypefone.blogspot.com.br/2008/09/as-ferramentas-do-skype-resumo.html

http://pt.wikipedia.org/wiki/Skype

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

TI - Transparência para Inovar


Diversos órgãos de governo, diversos clientes, inúmeras prioridades e urgências, diversos serviços críticos, todo este cenário complexo somado a recursos financeiros finitos, e  em dados momentos bem restritivos. Cabe então, a gestão pública, estabelecer uma estrutura flexível e responsiva.

Não se avança eficazmente sem planejamento e uma interlocução forte dentro das organizações. Não se consegue imediata flexibilidade e fluidez na informação e ações conjuntas entre departamentos, organizações, setores da sociedade, sem que se tenha previamente um combinado de conceitos e padrões estabelecidos. Não se consegue definir/operacionalizar as diretrizes estratégicas sem a tecnologia da informação e comunicação.

Falando um pouco mais do mesmo: o mundo esta a cada dia mais ágil, interconectado e, cada vez mais, dependente dessa agilidade e interconexão. O que nos impõe, gestão pública, respostas/ações adequadas num menor espaço de tempo com menos gastos financeiros. Posto que, se as necessidades aumentam em velocidade e quantidade as repostas/ações tendem a ser proporcionais.

Estas respostas/ações devem ser repensadas dentro de uma lógica que busque a simplicidade, o que é um belo de um exercício/desafio para as organizações públicas que buscam uma transformação na cultura da organização cultivando a atitude inovadora e empreendedora. Mas só internamente não basta! Deve-se expor os problemas e disponibilizar diversas fontes de dados, isto propiciará (já propicia) q a gestão pública a some a sua força de trabalho inúmeros outros colaboradores de interesse e capacidade diversos. Reforça a mudança cultural, desejada e necessária, de fora para dentro! Propicia dispor da sociedade para a sociedade (o conhecimento e atitude da sociedade em benefício da própria sociedade). Sinergia!

Sem a disponibilização de dados e informação, sem a transparência nos serviços prestados as organizações públicas não conseguirão superar eficazmente o desafio de prestar e gerir o conjunto de serviços demandado por uma sociedade cada dia mais diversificada, globalizada e interconectada.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Capivaras, Memes e Prefeitura de Curitiba?

Não, não é só zueira. Confira a excelente análise de Janaína Santos sobre a atuação de Prefs(prefeitura de Curitiba)!

Texto de Janaína Santos publicado no Cetem


capivara-memes-jana-santos

O filósofo francês Pierre Lévy diz em seu livro Cibercultura que a tecnologia não é boa, nem má, muito menos neutra, mas a nós cabe entender o quanto seu uso na sociedade é irreversível.
Estar nas redes sociais hoje é sem dúvida um caminho sem volta, mas na administração pública até pouco tempo nem se pensava no assunto. E é dessa forma que o case da Prefeitura de Curitiba se tornou paradigmático, a experiência da cidade mostrou que é necessário e mandatório se enveredar por estas veredas. Mas por quê? E como?
Introdução
Meu nome é Janaína Santos, vinda de agências digitais, já trabalhei com diversas marcas como: Magazine Luiza, Tecnisa, HSBC, Vale Fértil, Condor, RPC TV. Nunca tive uma experiência junto a gestão pública, mas quando o case começou a chamar atenção pelo uso do humor e pelo relacionamento 2.0, começamos a discutí-lo dentro das empresas e minha curiosidade foi acompanhar justamente como a comunicação poderia ajudar na prestação de um serviço para as pessoas.
Percebi que poderia entender lições importantes deste case. Para conclusão da pós-graduação em Avaliação e Produção de Conteúdos para Mídias Digitais da Universidade Positivo, analisei 250 publicações do Facebook da Prefeitura de Curitiba, a prefs, o mês era agosto deste ano.
O objetivo foi analisar como se dava a comunicação da página, sua pauta de comunicação e obter insights importantes a partir daí.

Informação ou Interação? O que manda é o equilíbrio!

Para entender a pauta de comunicação da Prefeitura de Curitiba, na minha análise, categorizei os posts em “Informação” e “Interação”. A divisão tinha objetivo de entender quais posts tinham objetivo principal de informar, com dados, links, estatísticas, canais de atendimentos e aqueles que tinham o objetivo de gerar uma conversa no Facebook. Para entender a divisão, o exemplo abaixo deixa mais claro.
Figura 1a
De um lado a postagem informando sobre a vacinação contra Hepatite A. A imagem é divertida e simpática, mas no texto do post há informações sobre como participar, o que fazer, por que é importante. No post da direita, um post falando que você pode ser um “cidadão virtual” de Curitiba. Uma postagem simpática, gerando conversa entre pessoas que moram distante da cidade mas interagem com a página. Dentro da postagem, algumas regrinhas que falando de temas importante de conscientização, como o problema das aranhas-marrom.
Está presente, mas não há links, informações, dados, há informação, mas é secundária, o propósito é a conversa. E dentro da pauta de conteúdo, como fica a divisão entre conteúdos de “informação” e de “interação”. Surpreendentemente, há mais publicações na categoria de informação, do que interação.
Figura 2a

São 53% de publicações de informação, contra 47% de interação.Percebe-se a importância do equilíbrio na pauta de comunicação, ressaltando sempre a relevância.
Na análise de Regina Marteleto e Antonio Silva, a troca de informação pode ser um importante fator para criação de redes sociais engajadas pelo desenvolvimento social e bem-estar comum em comunidades. Entendendo os sites de redes sociais como facilitadores deste processo, vemos que a troca de informações pode ser um importante gerador de capital social engajado no desenvolvimento comum.
É possível ver o engajamento da comunidade criada pela Prefeitura de Curitiba ao ver a participação através dos sites de redes sociais de projetos como a LOA(Lei Orçamentária Anual).

Não existe relacionamento sem resposta 

A palavra engajamento surgiu no dicionário de negócios vindo do termo em inglês ‘engagement’, que significa um relacionamento sério, um noivado. E para ter um relacionamento de verdade, é preciso conversar, ter DRs, falar de tudo.

Não existem exatamente dados oficiais sobre o tamanho do atendimento da Prefeitura de Curitiba. Procurei uma ferramenta que pudesse auxiliar e cheguei ao seguinte dado:
Figura 3a


Cerca de 30% das pessoas que fazem qualquer pergunta com um ponto de “?” na página da Prefeitura de Curitiba, são respondidas de alguma forma, segundo a ferramenta do Social Bakers. O índice não considera as perguntas feitas na inbox, que segundo a equipe, é a principal fonte de atendimentos.
Contudo, é importante notar que há sim uma grande parcela de pessoas atendidas pela página. Talvez seja preciso entender melhor qual é realmente o tamanho e a efetividade das respostas, mas este é um primeiro passo.
Adequar a linguagem ao meme, ou melhor dizendo, ao meio. Por inércia, a tendência da comunicação pública é o formalismo, mas a comunicação em meios digitais tem por preceito justamente o oposto. Como sobreviver?
Analisando a linguagem utilizada na página da Prefeitura de Curitiba no Facebook, considerei 4 categorias de tendência de linguagem:
 1.Cômica: quando possuía linguagem coloquial, com memes, piadas, linguagem de web, com efeito de provocar humor;

 2.Interativa: quando, apesar do coloquialismo, o efeito não era o humor e sim uma conversar, como por exemplo “Boa noite, Curitiba”;

 3.Informativa: quando o tom era de um comunicado, sem humor, com seriedade e;

 4.Audiovisual: quando utilizava fotos e vídeos para passar a mensagem.
Figura 4a


Na análise da linguagem, prevalece a informativa e cómica. Contudo, percebe-se nas outras linguagem o espaço para teste e experimentação. Embora haja um senso comum de que a página trate apenas de postagens descoladas e divertidas, há um espaço para seriedade.
Deve haver sensibilidade para entender qual é o momento certo e a linguagem certa para cada conteúdo. Memes são hoje a forma que as pessoas utilizam para traduzir o mundo ao seu redor.
Há memes sobre tudo. Ao se aproveitar da linguagem do meio, utilizar memes e criar os seus, a Prefeitura de Curitiba busca aproximação com o público da página, que são jovens de 18 a 34 anos e podem replicar as mensagens postadas.

Acertos e erros? Experimentar sempre e conversar muito!

O experimento de Curitiba nas redes sociais é recente, mal completou 2 anos, mas já colhe frutos como redução nas ligações do 156, participações em projetos como a LOA, participação da população e empresas em projetos sociais. Por outro lado também críticas, excesso de informalidade parece ainda deixar algumas pessoas desgostosas e código de conduta supostamente inapropriado também rende críticas.
Mas a experiência é positiva principalmente pela abertura à fórceps para o diálogo que provocou tanto localmente, como nacionalmente. Como estudado por Steven Clift, as tecnologias de informação e comunicação podem ajudar a construir a confiança, permitindo o envolvimento dos cidadãos no processo político, promovendo governo aberto e responsável e ajudando a prevenir a corrupção. Resta saber ainda qual será o papel futuro dessa abertura de diálogo nos anos que estão por vir.
*Este é um resumo do artigo: Análise de Caso da Prefeitura de Curitiba – A relação entre humor e serviço público na comunicação em redes sociais, escrito por Janaína Santos. Em breve vamos disponibilizar na integra para download.
banner-google-oficina-redesegov

Janaína Santos

Jana-Santos-Cetem

Social Media na RPC TV

Profissional de comunicação digital há 7 anos, formada em publicidade e já atuou como mídia em diversas marcas de vários segmentos como Magazine Luiza, HSBC, Tecnisa, Porto Seguro, Vale Fértil e atualmente é produtora de conteúdo na RPC TV, afiliada da Rede Globo Paranaense. Vê no estudo da comunicação e e-gov um encontro entre público e privado na busca pela relevância na prestação de serviços.